O quinteto Aquarela Carioca volta aos palcos em formação original com o espetáculo IDIOMA, na Acaso Cultural, em Botafogo, reunindo obras autorais e releituras que condensam 35 anos de pesquisa e experimentação na música instrumental brasileira.
Mais de três décadas depois de sua formação, o grupo Aquarela Carioca retoma a cena com um show que olha para trás sem abrir mão da inquietação estética que marcou sua trajetória. O espetáculo IDIOMA será apresentado na Acaso Cultural no dia 15 de agosto, às 20h, em uma noite dedicada a revisitar marcos da carreira e a reafirmar a identidade sonora do quinteto.
Desde o fim dos anos 1980, o Aquarela Carioca se tornou referência pela combinação pouco convencional de instrumentos e pela liberdade estilística, aproximando música brasileira, jazz, música de concerto e ritmos de diferentes culturas. Essa mistura se transformou em assinatura própria, reconhecida por público e crítica no Brasil e fora dele.
A formação reúne cinco músicos com trajetória consolidada na cena nacional: Lui Coimbra, em violoncelo, rabeca e violão; Mário Sève, em saxofones, flauta e flautim; Marcos Suzano, em pandeiro e percussão eletrônica; Paulo Muylaert, na guitarra; e Paulo Brandão, em baixo, violão e sonoplastias. Juntos, eles traduzem décadas de convivência artística em arranjos que evitam rótulos fáceis.
IDIOMA apresenta a formação original do Aquarela Carioca em um recorte que condensa liberdade estética, improvisação e experimentação acumuladas ao longo de 35 anos de trabalho coletivo.
O repertório de IDIOMA funciona como mapa afetivo da trajetória do grupo. Em cena, o Aquarela Carioca revisita momentos marcantes de sua discografia e retoma obras que ajudaram a moldar seu universo musical, aproximando referências diversas em um mesmo fluxo sonoro.
Releituras que revelam o idioma do grupo
No programa, o quinteto cruza fronteiras entre cancioneiro popular, repertório erudito e música de outras culturas. Entram em cena leituras de “Kashmir”, do Led Zeppelin, “Sherazade”, de Rimsky-Korsakov, “Deus Xangô”, de Astor Piazzolla e “Afrikan Market Place”, de Abdullah Ibrahim, além de temas de Caetano Veloso e Villa-Lobos, composições autorais e temas tradicionais.
As releituras não se limitam à transposição de estilos. Elas dialogam com a história do próprio grupo, que ao longo dos anos explorou timbres e formações pouco previsíveis, como o encontro entre violoncelo, rabeca, saxofones, flauta, pandeiro, percussão eletrônica, guitarra e baixo, abrindo espaço para improvisos e texturas sonoras híbridas.
Três décadas de discos, prêmios e colaborações
Ao longo da carreira, o Aquarela Carioca lançou seis álbuns, consolidando um repertório que acompanha a evolução da música instrumental produzida no país desde o fim dos anos 1980. Nesse percurso, o grupo recebeu indicações ao Prêmio Sharp de Música e foi eleito Revelação Instrumental do Ano pela Folha de S.Paulo, em reconhecimento ao impacto de sua obra.
A trajetória inclui participações em projetos ao lado de artistas como Ney Matogrosso, Alceu Valença, Pedro Luís e o trombonista norte-americano Steve Turré, ampliando o diálogo com outras vertentes da música brasileira e internacional. Entre os trabalhos, destaca-se o álbum As Aparências Enganam, registrado em parceria com Ney Matogrosso e apontado como um dos discos marcantes da música brasileira contemporânea.
A apresentação na Acaso Cultural coloca o público diante da formação original do quinteto, elemento que agrega peso histórico ao espetáculo. Ao reunir em uma mesma noite composições próprias, temas tradicionais e releituras de diferentes épocas, o grupo sintetiza 35 anos de pesquisa musical, improvisação e experimentação.
Esse recorte de repertório também reforça a relevância do Aquarela Carioca na ampliação dos horizontes da música instrumental brasileira, mostrando como o quinteto integrou influências diversas em um idioma próprio, atento tanto à tradição quanto às possibilidades de renovação estética.
Serviço
- Aquarela Carioca – IDIOMA
- Data: 15 de agosto (sábado)
- Horário: 20h
- Local: Acaso Cultural – Rua Vicente de Sousa, 16 – Botafogo – Rio de Janeiro
- Ingressos: a partir de 55 reais pelo Sympla
