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Arena B3 leva Zé Geraldo e Lygia Fagundes Telles ao palco em outubro

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Uma professora de 62 anos, presa entre desejos e repressão. Um rei grego tentando escapar do próprio destino, agora às gargalhadas. E um compositor mineiro revisitando quatro décadas de estrada. A Arena B3 reúne essas histórias em outubro, no Centro Histórico de São Paulo.

Música, literatura e humor dividem o palco ao longo do mês. Passam por lá o cantor e compositor Zé Geraldo, no talkshow Me Cante Uma História, e os espetáculos Édipo de novo?, Senhor Diretor e As Bondosas.

São quatro gerações e quatro linguagens diferentes. Um dos nomes do chamado rock rural brasileiro. Uma releitura cômica de Sófocles. A primeira adaptação teatral de um conto de Lygia Fagundes Telles. E uma comédia dramática que bebe do universo popular nordestino.

Como já vinha fazendo em agosto, a Arena B3 mantém a aposta em ingressos a preços populares. A ideia é ampliar o acesso à cultura no coração histórico da capital paulista.

Arena B3 leva Zé Geraldo e Lygia Fagundes Telles ao palco em outubro
Foto: Divulgação

Zé Geraldo abre o mês contando histórias

No dia 3 de outubro, às 17h, o cantor e compositor mineiro Zé Geraldo é o convidado do talkshow Me Cante Uma História. Um dos pioneiros do rock rural, ele participa de um encontro que mistura música, memórias e bastidores de uma carreira com mais de 45 anos.

Ao longo da conversa, o artista relembra clássicos como “Cidadão” e “Senhorita”. Também compartilha histórias do trabalho mais recente, O Lugar Onde Eu Nasci, lançado em 2024.

Com mais de 20 discos na carreira, Zé Geraldo construiu uma obra marcada por personagens, histórias de estrada, liberdade e crítica social, misturando folk, rock e música brasileira.

O novo álbum revisita memórias da infância e da juventude do artista em Minas Gerais. Abre mais um capítulo de uma trajetória que transformou experiências pessoais e observações do cotidiano em canções.

Édipo escapa do destino no riso

Nos dias 10 e 11 de outubro, às 14h30 e 17h, é a vez de Édipo de novo?, versão cômica do clássico Édipo Rei, de Sófocles. A montagem revisita uma das tragédias mais conhecidas da história do teatro pelo viés do humor. Sem deixar de contar, na íntegra, a saga do personagem que tenta escapar de seu destino.

Com texto e direção de Thiago Bomilcar Braga, o espetáculo estreou em 2025 no Teatro Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. A temporada, inicialmente prevista para um mês, acabou sendo estendida por outros dois. A produção retornou ao mesmo teatro em março de 2026.

Uma cadeira giratória, uma vida inteira

Após dois anos de temporadas no Rio de Janeiro e uma turnê pelo interior fluminense, Senhor Diretor chega à Arena B3 nos dias 18, 19, 24 e 25 de outubro, com sessões às 14h30 e 17h. A montagem é a primeira adaptação para o teatro do conto homônimo de Lygia Fagundes Telles (1918-2022) e tem Analu Prestes em cena, com idealização, adaptação e direção de Sílvia Monte.

Extraído da coletânea Seminário dos Ratos, de 1977, o texto acompanha Maria Emília, uma professora aposentada de 62 anos que se sente deslocada em relação à cidade e ao tempo em que vive. Marcada por uma educação elitista, machista, opressora e disciplinadora, a personagem vê suas certezas entrarem em conflito com desejos que durante muito tempo tentou conter.

Centrada na teatralidade da palavra, a montagem utiliza apenas uma antiga cadeira giratória em cena. Aposta na relação direta entre atriz, personagem e plateia.

O humor delicado característico da obra de Lygia atravessa a encenação. Conduz as reflexões sobre desejo, repressão, envelhecimento e as transformações da sociedade.

O espetáculo também celebra os mais de 50 anos de palco de Analu Prestes. Um encontro entre a experiência da atriz e a literatura de uma das principais escritoras brasileiras.

Carpideiras que choram para viver

Encerrando a programação do mês, no dia 31 de outubro, às 17h, a Arena B3 recebe As Bondosas. Criada por artistas pernambucanos radicados em São Paulo e no Rio de Janeiro, a montagem chega à capital paulista após temporadas no Rio e apresentações em festivais no Espírito Santo, Pernambuco e Minas Gerais, somando mais de 12 mil espectadores.

Escrita pelo dramaturgo maranhense Ueliton Rocon, a comédia dramática acompanha Astúcia, Angústia e Prudência, três carpideiras contratadas para chorar em velórios. Cansadas de acompanhar as despedidas alheias, elas começam a revelar suas próprias inquietações, conflitos e histórias.

Dirigida por Tom Pires, a montagem traz três atores interpretando personagens femininas inspiradas em arquétipos do universo popular nordestino, com uma estética minimalista construída a partir de cinco caixotes.

Entre humor e sátira, As Bondosas aborda temas como hipocrisia, aparência e convenções sociais. Com 13 anos de trajetória, o espetáculo se consolidou como um dos principais trabalhos da Cia SOS de Teatro Investigativo.

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