A imaginação de futuros possíveis e a resistência periférica guiam a agenda de setembro da Arena Cultural Dicró, que integra a Semana de Arte do Rio com mostras, teatro e formações abertas ao público.
O espaço, gerido em conjunto pelo Observatório de Favelas e pela Prefeitura do Rio, reúne múltiplas linguagens com foco em produções comunitárias e debates contemporâneos sobre memória e território.
A mostra reflete sobre os sonhos e os desafios vividos por mulheres negras periféricas e questiona o custo de sonhar como forma de resistência e permanência.

Reflexões visuais e dramaturgia de resistência
Na Galeria L, o ponto central do mês é a abertura da exposição individual da artista Pietra Canle, intitulada “Decidi sonhar para não sucumbir”, a partir de 4 de setembro. A montagem aborda a relação entre trabalho, cansaço e a urgência de construir novos caminhos, oferecendo visita guiada e atividade interativa conduzidas pela própria criadora.
O tablado também recebe investigações sobre corpo e sociedade. A montagem “Memórias do Corpo: Atravessamentos” combina elementos da dança contemporânea e da acrobacia para mapear marcas físicas, vínculos e traumas coletivos. Em seguida, a ficção distópica ganha vida com “Ouro Negro, Areia Branca”, narrativa focada nas personagens Catirina e Francisca em um cenário atravessado pela exploração de combustíveis fósseis e desigualdades estruturais.
Encontros populares, saberes ancestrais e infâncias
As tradições populares mobilizam o Parque Ary Barroso com o encontro Pé de Dendê, promovido pelo Grupo Terranossa Brasil para conectar mestres, praticantes e famílias em torno dos fundamentos da capoeira, com previsão de reunir centenas de participantes.
A troca comunitária se expande na oficina “Fortalecendo nossa autoimagem: trançar saúde e promover a vida”, conduzida por mulheres negras trançadeiras com foco em cuidados corporais, estética e saberes medicinais. As ações práticas avançam ainda sobre o meio ambiente na Agroflorestinha, onde o público aprende técnicas de plantio e participa da produção de tintas ecológicas com sedimentos do próprio solo local.
Para as crianças, a agenda inclui “A História do Gelinho”, encenada pelo Grupo Teatral ASLUCIANAS, com foco didático no ciclo da água e tradução simultânea em Libras viabilizada pela equipe do TradInter Lab da UFRJ.
Serviço
- Local: Arena Cultural Dicró – Rua Flora Lobo s/n, Parque Ary Barroso, Penha Circular, Rio de Janeiro – RJ
- Funcionamento: terça a sexta, das 13h às 21h; sábados e domingos, das 10h às 21h
- Exposição “Decidi sonhar para não sucumbir” (Pietra Canle): abertura em 04/09, às 18h; visitação de terça a domingo, a partir das 10h (Gratuito, Livre)
- 6ª Mostra Municipal de Multilinguagens: 02/09 (Dança e Lentes do Olhar, 9h), 03/09 (FECEM, Sons do Rio e Lentes do Olhar, 9h) e 04/09 (FESTA e Lentes do Olhar, 9h) (Gratuito, Livre)
- Contação de histórias “A História do Gelinho”: 05/09, às 10h (Gratuito, Livre)
- Oficina de Plantio (Agroflorestinha): 05 e 26/09, às 11h (Gratuito, Livre)
- Performance “Memórias do Corpo: Atravessamentos”: 13/09, às 18h (Gratuito, Livre)
- Oficina de Culinária: 15/09
- Jazz e Café da Penha: 17 e 24/09, às 10h (Gratuito, Livre)
- Aula de Passinho e Danças Urbanas: 18/09, às 16h (Gratuito, Livre)
- Pé de Dendê – Encontro Cultural: 19/09, às 10h (Gratuito, Livre)
- Mostra Cultural dos Crias: 20/09, às 13h (Gratuito, Livre)
- Práticas de Agroecologia – A Cor do Nosso Bairro: 26/09, às 10h (Gratuito, Livre)
- Cineclube Adélia Sampaio: 26/09, às 14h (Gratuito)
- Espetáculo “Ouro Negro, Areia Branca”: 27/09, às 18h – Ingressos a R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira) (Classificação: 16 anos)
- Oficina de Tranças: quintas-feiras, às 14h (Gratuito, vagas limitadas, inscrições via @ceconereulopes)
- Atividades regulares semanais: terças (ballet, jazz, danças árabes, capoeira, charme); quartas (instrumentos musicais, dança de salão); quintas (teatro); sextas (zumba, passinho, Quintal da Dicró)