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Armazém da Utopia celebra legado do dramaturgo Valère Novarina

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Artistas e pesquisadores se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar a potência cênica e o legado deixado pelo dramaturgo franco-suíço Valère Novarina.

Marcado pela convergência entre literatura, artes plásticas e experimentação cênica, o percurso artístico de Valère Novarina ganha uma retrospectiva viva na Sala Sérgio Britto, no Armazém da Utopia. O encontro “Viva Novarina” presta tributo ao criador franco-suíço ao reunir os principais profissionais responsáveis por pesquisar, traduzir e encenar sua obra no cenário teatral brasileiro, promovendo leituras públicas de textos, exibição de acervo audiovisual e relatos críticos abertos ao público.

Celebramos não apenas sua memória, mas a potência da obra que ele nos deixou.

Intervenções cênicas e resgate de acervo

A programação articula intervenções com a participação de nomes fundamentais do teatro nacional, entre eles Angela Leite Lopes, Ana Kfouri, Antonio Guedes, Claudio Serra, Cris Larin, Lígia Souza, Lorena da Silva, Marina Mathey e Renato Carrera. Na ocasião, serão apresentados fragmentos de peças fundamentais como “O animal do tempo”, “A inquietude”, “O ateliê voador”, “O homem fora de si”, “Luzes do corpo”, “Antonin Artaud: teórico do teatro”, “O teatro dos ouvidos” e “Debate com o espaço”.

O evento exibe ainda os registros visuais “Novarina em cena” e “Dans la solitude” (Na solidão), dirigidos por Raphaël O’Byrne, além de disponibilizar títulos publicados pela Editora 7Letras. A ocasião também homenageia a memória de Thierry Trémouroux, diretor pioneiro na introdução dos escritos do dramaturgo nos palcos brasileiros.

A trajetória entre a palavra e a pintura

Nascido na Suíça em 1942 e radicado na França, Novarina construiu uma produção singular que desafiou as fronteiras tradicionais dos gêneros artísticos. Após cursar filosofia e filologia na Sorbonne, estreou nos palcos em 1974 com a montagem de “O ateliê voador”, dirigida por Jean-Pierre Sarrazac. Ao longo das décadas, o autor uniu dramaturgia à pintura e à realização de performances plásticas, passando a conceber e pintar cenários autorais para suas próprias peças.

Traduzido para mais de dez idiomas e apontado pela crítica internacional como uma das vozes mais contundentes do teatro moderno desde Samuel Beckett, o dramaturgo esteve no Brasil em 1999 e 2009. A homenagem acolhida pelo Armazém da Utopia, sede da Companhia Ensaio Aberto, reforça a vocação do espaço portuário como polo de pesquisa de linguagens e conexão internacional.

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