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ArPa viabiliza obra de Noara Quintana na Pinacoteca

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A 5ª edição da ArPa consolida mais um movimento concreto no circuito das artes visuais: a entrada de uma obra de Noara Quintana no acervo da Pinacoteca de São Paulo. A incorporação acontece por meio de uma doação articulada durante a feira, com apoio do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo), reforçando a conexão entre produção artística contemporânea e instituições públicas.

Selecionada pelos curadores da Pinacoteca entre os trabalhos apresentados pelas galerias participantes, a obra escolhida foi Sem título (da série Ladrão de borracha [from the series Rubber Thief]). O critério central da escolha foi ampliar o acervo com artistas que ainda não integravam a coleção do museu, fortalecendo a diversidade e a atualização do patrimônio público.

Uma obra que conecta matéria e história

Produzida com grafite e pigmento sobre seda pura, além do uso de borracha industrial, a obra sintetiza uma investigação recorrente na trajetória de Noara Quintana: a relação entre materiais cotidianos e os contextos econômicos e simbólicos que os atravessam.

Ao trabalhar com elementos associados a cadeias produtivas e matérias-primas ligadas ao Sul Global, a artista constrói narrativas que tensionam heranças históricas e estruturas econômicas. O resultado é uma produção que ultrapassa o campo formal e se insere em debates mais amplos sobre circulação de riqueza, memória e poder.

A escolha da obra dialoga diretamente com o papel da Pinacoteca como instituição pública: preservar e apresentar produções que ajudem a compreender o presente por meio da arte contemporânea.

Do mercado ao acervo público

A doação integra o programa de premiações da ArPa, que, ao longo de suas edições, tem buscado criar caminhos efetivos para que obras relevantes cheguem a coleções públicas. Mais do que uma vitrine comercial, a feira assume uma função ativa na articulação entre artistas, galerias e instituições.

“Mais do que promover encontros entre galerias, artistas e colecionadores, a ArPa busca criar condições concretas para que produções relevantes ingressem em acervos públicos, ampliando o acesso e consolidando a memória da arte contemporânea brasileira.”

A avaliação é de Camilla Barella, diretora-geral da ArPa, que destaca o papel da feira como mediadora de processos que ultrapassam o ambiente de exposição e venda.

Para Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo, a iniciativa evidencia a força do ecossistema artístico quando diferentes agentes atuam de forma colaborativa.

“A construção de uma doação para um museu público por meio de uma iniciativa privada, como essa articulada pela ArPa, é uma das formas mais bonitas de celebrar o ecossistema das artes, do qual todos nós fazemos parte.”

Volz também reforça o impacto direto desse tipo de ação na formação do acervo: “O acervo da Pinacoteca é público, um patrimônio coletivo. A doação de uma obra que se destaca por sua excelência e relevância no contexto contemporâneo contribui para a construção desse legado.”

O papel do ICCo na articulação

Fundado em 2009 pela colecionadora Regina Pinho de Almeida, o Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) participa da iniciativa como parceiro estratégico, apoiando a doação e reforçando sua atuação no fortalecimento institucional do setor.

A colaboração com a Pinacoteca se insere em um trabalho contínuo de aproximação entre artistas, colecionadores e instituições, com foco na preservação e circulação da produção artística contemporânea.

“O ICCo e a Pinacoteca de São Paulo se unem nesta iniciativa, reafirmando o compromisso com o fortalecimento do sistema das artes visuais e o papel das instituições culturais na preservação, circulação e construção da memória artística.”

A declaração de Regina Pinho de Almeida evidencia a dimensão estrutural da ação, que vai além de uma doação pontual e se insere em um esforço mais amplo de sustentação do campo artístico.

Trajetória de Noara Quintana

Nascida em Florianópolis, em 1986, Noara Quintana construiu uma carreira marcada por investigações que articulam economia, arquitetura e história. Atualmente, vive e trabalha entre Los Angeles e São Paulo.

Sua formação inclui passagens por importantes programas de residência, como Delfina Foundation, Pivô Arte Pesquisa, Cité Internationale des Arts e Ybytu. Nos últimos anos, sua produção esteve presente em instituições de destaque, como MASP, Instituto Tomie Ohtake e MAM-SP, além de eventos como a Bienal das Amazônias e exposições internacionais, incluindo a Haus der Kulturen der Welt, em Berlim.

A entrada de seu trabalho na Pinacoteca marca um novo capítulo na trajetória da artista, ampliando sua presença em coleções públicas e consolidando o reconhecimento institucional de sua pesquisa.

ArPa e seu modelo curatorial

Fundada em 2022 por Camilla Barella, a ArPa chega à quinta edição como uma das principais feiras de arte contemporânea da América Latina. Seu modelo se diferencia pela curadoria por setores e pela exigência de projetos inéditos apresentados pelas galerias convidadas.

A feira se organiza em cinco núcleos — Principal, UNI, Base, Editorial e Institucional — e conta com um comitê curatorial responsável por orientar as escolhas. Esse formato garante coesão e continuidade à proposta da ArPa, que acompanha de perto cada projeto desde a concepção até a montagem.

Além da doação para a Pinacoteca, a feira mantém outras premiações, como o Prêmio Melhor Estande e o Selo Mandacaru, voltado à aquisição de obras de artistas de grupos historicamente minorizados, com prioridade para mulheres da América Latina.

Para Cristina Candeloro, diretora de relacionamento institucional da ArPa, essas iniciativas refletem uma dinâmica mais ampla de colaboração no setor.

“Existe hoje uma troca muito viva entre feira, galeria e artista, e é justamente dessa relação que surgem projetos tão relevantes para a arte contemporânea. As premiações ampliam esse circuito de reconhecimento e circulação.”

A repetição do modelo de doação, já realizada em 2025 com uma obra de Tatiana Challhoub, indica a consolidação de uma estratégia que busca ampliar a presença da arte brasileira contemporânea em instituições públicas.


Serviço


ArPa viabiliza obra de Noara Quintana na Pinacoteca
Foto: Gui Caielli
ArPa viabiliza obra de Noara Quintana na Pinacoteca
Foto: Gui Caielli
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