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Arte nos CAPS da periferia vira livro e saraus em SP

Arte nos CAPS da periferia vira livro e saraus em SP

Três saraus gratuitos na Zona Noroeste de SP celebram o lançamento do livro sobre arte e saúde mental nos CAPS de Brasilândia e Perus, em maio de 2026.

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Uma pesquisa conduzida dentro dos Centros de Atenção Psicossocial da periferia de São Paulo ganhou forma de livro. Agora, o livro ganha forma de festa. Nos dias 4, 8 e 13 de maio de 2026, três saraus culturais com entrada gratuita ocupam espaços da Zona Noroeste da cidade para celebrar o lançamento de “Oficinas de Arte e Cultura – um sobrevoo pelos CAPS Adultos Brasilândia e Perus”, fazendo um esquenta para o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em 18 de maio.

A proposta vai além de um lançamento literário convencional. A ideia é transformar o próprio território onde a pesquisa nasceu em palco de encontro, criação e resistência, reunindo usuários dos serviços do CAPS, artistas, coletivos culturais e moradores das regiões de Brasilândia e Perus.

Arte como ferramenta de cuidado

O projeto “A Arte como Meio de Promoção da Saúde Mental: um olhar sob CAPS sediados em periferias” investigou o impacto de práticas artísticas no bem-estar mental de usuários de CAPS em territórios periféricos. Durante a pesquisa, foram acompanhadas oficinas de artes visuais, música, teatro e literatura no CAPS Adulto III da Brasilândia e no CAPS II Adulto de Perus, documentando como essas experiências contribuem para a recuperação, o fortalecimento subjetivo e a construção de vínculos com a vida e com o território.

Os CAPS ainda carregam estigmas alimentados por memes e piadas que associam esses espaços às imagens dos antigos manicômios. O projeto se posiciona na contramão dessa visão. “A loucura precisa ser melhor acolhida. Esse estigma apaga o papel desses espaços que promovem cuidado em liberdade, convivência e práticas culturais nos territórios”, afirmam as pesquisadoras. “Nos CAPS existe uma produção cultural muito potente que quase nunca ganha visibilidade. São oficinas, experiências coletivas e processos criativos que ajudam a reconstruir vínculos com a vida e com o território.”

Existe vida além do diagnóstico. E muitas vezes ela aparece primeiro na arte.

Três noites de sarau na Zona Noroeste

Cada um dos três eventos tem programação própria, pensada para o território que ocupa. O primeiro sarau acontece no CAPS III AD Brasilândia, no dia 4 de maio, com pocket show de Gracy Morais, roda de samba com os grupos “Só Pra Elas” e “Só Pra Alegrar”, colaboração com o projeto “Não Coma o Microfone” (Veridiana Zurita), oficina de estandartes para a luta antimanicomial, exposição de arte dos usuários do CAPS, feira de economia solidária com o coletivo Ô da Brasa e microfone aberto. O evento conta com acessibilidade arquitetônica, Libras e audiodescrição.

No dia 8 de maio, o segundo sarau ocupa a Biblioteca de Perus, trazendo a performance “Orí”, de Nica Gonçalves, e o show “Partitura das Humanidades Criativas”, com os Cidadãos Cantantes, além de exposição de arte, microfone aberto, oficinas e feira. O espaço também oferece acessibilidade arquitetônica, Libras e audiodescrição.

O ciclo se encerra no dia 13 de maio no CECCO Perus, com exposição de arte dos usuários do CAPS, microfone aberto e feira de economia solidária com o coletivo Ô da Brasa. Todos os eventos também contam com a venda dos livros “Ele amava o silêncio, mas era esquizofrênico” (Daniel Alves) e “Tariwaki – pajé, mulher e professora” (Tariwaki Kaiabi Suia), reforçando a dimensão literária do encontro.

Quem está por trás do projeto

O projeto foi desenvolvido por meio do Edital ProAC nº 46/2024 – Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural, com as ações territoriais contempladas pelo Edital Fomento CultSP PNAB, do Governo Federal, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

A proponente é Jaqueline Barreto, moradora de Perus, professora de yoga, atriz e arte-educadora com trajetória de pesquisa sobre promoção de saúde nas periferias pela arte. A investigação contou com a participação da atriz e produtora Gleice Kelle (social media), da pesquisadora, produtora cultural e musicista Emanuela Fontes da Costa, e com a orientação da psicóloga, pesquisadora, doutora em Psicologia e professora universitária Laís Barreto Barbosa.

O livro está disponível em formato impresso e digital (e-book). Mais informações no perfil @saude.na.periferia no Instagram.

https://www.youtube.com/watch?feature=shared&v=J5OV3vkCKAE


Serviço

Arte nos CAPS da periferia vira livro e saraus em SP
Foto: Divulgação
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