Após sucesso em SP, o espetáculo Aurora estreia no Teatro Poeira em maio, celebrando a obra do cronista Paulo Mendes Campos com música, vídeo e performance.
Uma homenagem ao cronista Paulo Mendes Campos
O espetáculo Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos chega ao Rio de Janeiro depois de uma temporada de sucesso em São Paulo, no final de 2025. Com direção de Rodrigo Penna e consultoria de roteiro de Adriana Falcão, a peça fica em cartaz de 5 de maio a 24 de junho de 2026, às terças e quartas, às 20h, no Teatro Poeira, em Botafogo.
Livremente inspirada na vida e na obra de Paulo Mendes Campos (1922–1991), a montagem presta tributo a um dos mais importantes cronistas brasileiros — poeta, jornalista e tradutor mineiro que transformou o cotidiano em literatura sensível e duradoura. O espetáculo tem olhar especial para a coletânea O Amor Acaba – Crônicas líricas e existenciais (1999).
Um espetáculo feito de palavras, música e imagens
A peça não segue uma estrutura dramatúrgica tradicional. Sem linearidade, curva dramática ou personagens fixos, ela é uma série de cenas e sentimentos construídos a partir de crônicas inteiras, fragmentos, cartas e colunas de periódicos. No palco, os atores Elisa Pinheiro, Gustavo Damasceno e Kadu Garcia contam, encenam e recriam as palavras do escritor por meio de diferentes linguagens: música, projeção e performance.
Quase um relicário esse espetáculo, uma caixinha de joias e pequenas ternuras do Paulo para o mundo. Uma coletânea de crônicas do poeta que eu fiz ao longo dos anos. Já foram mais de 40 versões desse roteiro, baseado em muitas leituras em casa, muita pesquisa de texto e muito bate-papo com a Adriana Falcão, minha consultora para roteiro. — Rodrigo Penna, diretor
A trilha sonora, assinada por Rodrigo Penna ao lado de Chico Beltrão e Dani Roland, explora sonoridades pop que dialogam tanto com o público mais velho quanto com a juventude. A cenografia de Marcus Figueiroa traz referências modernistas, recriando ambientes do universo do escritor — seus apartamentos em Copacabana, escritórios e janelas para o mundo. A videocenografia é assinada pelos artistas Bê Leite e Rodri (TocaHub), com consultoria audiovisual de Batman Zavareze, e os figurinos são de Marie Salles.
A palavra como ação e protesto
Para Rodrigo Penna, a montagem vai além da homenagem literária. “A montagem é uma dança entre diferentes linguagens e mídias, tudo em prol da palavra — até como ação e protesto, a palavra é nosso meio e nosso fim. Todos são Paulo Mendes Campos e, ao mesmo tempo, todas são também suas musas, os personagens, as cenas. A peça fala sobre o mundo todo, todos nós, é sobre a humanidade, a ternura, a doçura, o amor, a falta de amor, o excesso de amor, o conflito do amor. Um grande jogo de cenas e sentimentos”, conta o diretor.
A direção também presta homenagem ao trabalho do ator e diretor carioca Aderbal Freire Filho (1941–2023), que desenvolveu uma pesquisa teatral intitulada por ele mesmo como “romance-em-cena”. “Nós nos vemos como um filhote do romance em cena, celebrando a crônica em cena”, afirma Penna.
O nascimento da Bailinho Produções
A montagem de Aurora marca o lançamento da primeira produção teatral da Bailinho Produções, criada por Rodrigo Penna. Em 2026, a empresa celebra 20 anos da primeira edição da Festa Bailinho e dos eventos que surgiram nas últimas décadas e ainda movimentam o cenário cultural carioca. O projeto nasce da ligação profunda de Penna com literatura e poesia, que o levou a criar o Projeto Ambiente, um sarau contemporâneo com multilinguagens da palavra, há 25 anos.
Quem foi Paulo Mendes Campos
Paulo Mendes Campos (1922–1991) nasceu em Belo Horizonte e fez parte de uma geração histórica ao lado de Fernando Sabino, Rubem Braga, Otto Lara Resende e Carlos Drummond de Andrade. Sua escrita mistura poesia e prosa de forma única: simples na aparência, mas cheia de delicadeza, memória e reflexão. Torcedor apaixonado do Botafogo, deixou obras como O cego de Ipanema, Homenzinho na ventania e o clássico O amor acaba.
Além de cronista e poeta, Campos atuou como tradutor de grandes nomes da literatura mundial, como Júlio Verne, Oscar Wilde, Jane Austen, Jorge Luis Borges, William Shakespeare, Pablo Neruda e Charles Dickens, entre outros. Seu legado permanece vivo como referência do lirismo cotidiano na literatura brasileira.
Serviço
- Espetáculo: Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos
- Temporada: 5 de maio a 24 de junho de 2026
- Local: Teatro Poeira — Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro
- Dias e horário: Terças e quartas, às 20h
- Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
- Venda online: Sympla
- Bilheteria: Terça a sábado, das 15h às 20h; domingo, das 15h às 19h
- Classificação: Livre
- Duração: 60 minutos
- Capacidade: 140 lugares
- Redes sociais: @rodrigopenna | @aurora_paulomendescampos





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