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Barracão do carnaval carioca vira exposição no interior de SP

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Peças que normalmente ficam restritas a barracões e ateliês de carnaval passam a dividir espaço com o acervo folclórico de um município do interior paulista, numa tentativa de aproximar dois patrimônios culturais que raramente se cruzam.

Os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, responsáveis por parte da criação visual da Unidos de Vila Isabel, escola de samba do Grupo Especial carioca, levam desenhos e projetos originais para a exposição “De Olhos d’Água ao Rio-Mar: Olímpia abraça o Rio de Janeiro”. A mostra abre a partir desta sexta-feira, dia 31 de julho de 2026, na Estação Cultural de Olímpia (ECO), em São Paulo, e integra a programação do 62º Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL).

A exposição é realizada pela Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore. Reconhecida nacionalmente como a Capital Nacional do Folclore, a cidade usa a mostra para reforçar sua missão de intercâmbio cultural e ampliar o acesso da população ao patrimônio imaterial brasileiro.

Do barracão para a vitrine

Ao todo, seis obras dos dois carnavalescos estarão expostas, entre desenhos originais e projetos de fantasias e alegorias produzidos a partir de 2020. Entre os destaques estão os desenhos das fantasias do 1º Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e da bateria do carnaval de 2026 da Unidos de Vila Isabel.

Também integram o recorte o projeto alegórico da Comissão de Frente e da quinta alegoria do desfile de 2022 do GRES Acadêmicos do Grande Rio — campeão do Grupo Especial daquele ano com o enredo sobre Exu — e uma fotografia da fantasia “Bate-bolas”, parte do mesmo desfile, também assinada por Haddad e Bora. Os dois artistas já trabalham no carnaval de 2027 da Vila Isabel, com o enredo “Torto arado — sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no livro “Torto Arado”, do escritor Itamar Vieira Junior.

O FEFOL sempre foi um espaço de encontros, trocas e valorização das nossas tradições. Esta exposição amplia esse propósito ao aproximar as manifestações culturais de Olímpia e do Estado do Rio de Janeiro.

A fala é da secretária de Cultura e Defesa do Folclore, Priscila Foresti, que também destaca que a mostra reforça o papel de Olímpia como referência para debates e políticas de salvaguarda da cultura popular brasileira.

Duas culturas populares, um mesmo território simbólico

O percurso expositivo reúne objetos, fotografias, indumentárias, pinturas, registros audiovisuais e depoimentos que revelam a riqueza das manifestações populares dos dois territórios, evidenciando como diferentes expressões culturais dialogam entre si ao compartilhar valores, ancestralidades e identidades que atravessam gerações.

De Olímpia, estarão representados grupos e manifestações que ajudaram a construir a trajetória do FEFOL e a identidade cultural do município:

Já o Estado do Rio de Janeiro estará presente por meio de manifestações como:

Esses registros do lado fluminense chegam por meio de acervos cedidos por grupos e mestres de referência da cultura popular do Rio de Janeiro.

Quem assina a curadoria

A curadoria é assinada por Dil Fonseca, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em cultura popular, e por Cota Azevedo, artista visual e jornalista comunicóloga. A cenografia é de Maira Ramos.

De Olhos d’Água ao Rio-Mar é uma travessia entre paisagens, memórias e modos de celebrar a vida. A mostra celebra a potência dos encontros e a capacidade da cultura popular de conectar pessoas, histórias e identidades.

As diretoras do Instituto CUIA, Ana Cândida Moura e Letícia Santiago, resumem a proposta da mostra em outros termos: para elas, a exposição revela que toda ancestralidade é movimento, toda tradição é partilha, e toda cultura permanece viva porque encontra novos caminhos para florescer no afeto entre as pessoas.

A realização é da Prefeitura da Estância Turística de Olímpia, por meio da Secretaria de Cultura e Defesa do Folclore, em parceria com o Instituto CUIA – Cultura, Integração e Artes, com apoio do Museu do Folclore Edison Carneiro e da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.


Serviço

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