Ícone do site Aurora Cultural

Bernarda Alba ganha releitura rock no Rio de Janeiro

Bernarda Alba ganha releitura rock no Rio de Janeiro

Clássico de Lorca chega ao Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, com estética rock n’ roll que amplifica o debate sobre opressão e liberdade feminina.

Instagram
Siga o Aurora Cultural no Instagram
Seguir @auroraculturalportal

Rock e Lorca no mesmo palco

A Casa de Bernarda Alba, clássico de Federico García Lorca, ganha uma releitura contemporânea no Rio de Janeiro com uma proposta que poucos esperavam: a estética do rock n’ roll como linguagem cênica. A montagem, dirigida por Paulo Marcos de Carvalho, está em cartaz no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, nos dias 15 e 29 de abril de 2026, às 20h.

O texto original foi escrito por Lorca em 1936, poucos meses antes de seu assassinato durante a Guerra Civil Espanhola. A peça narra a história de Bernarda Alba, uma matriarca autoritária que impõe às filhas um luto rigoroso após a morte do marido. O resultado é um ambiente sufocante, marcado por repressão, vigilância e desejos contidos.

Uma estética que provoca urgência

Na adaptação, a trilha sonora, a iluminação, a maquiagem e o figurino incorporam referências do rock para criar tensão e ritmo à narrativa. A escolha não é ornamental: ela serve à dramaturgia e amplia as conexões da obra com temas atuais, especialmente as pressões sociais impostas às mulheres.

Diante de tudo o que temos visto sobre as mulheres na mídia, senti que deveria provocar um estado de urgência de consciência. A estética escolhida conversa com o texto e reforça essa casa atravessada por silêncios densos e desejos reprimidos, prestes a romper.

Paulo Marcos de Carvalho, diretor

Público surpreendido na estreia

A estreia da montagem gerou reações entusiasmadas. João Pedro, estudante de Relações Internacionais que assistiu à apresentação, compartilhou sua experiência:

Eu fiquei maravilhado com a peça. Eu realmente não esperava tudo o que vi. Fui achando que era um clássico da cabeça aos pés, mas fiquei positivamente surpreendido. O jogo de luzes, as músicas, a maquiagem e, principalmente, o jogo cênico com as cadeiras brancas e tecidos me prenderam do início ao fim, nem vi o tempo passar. Eu super recomendo.

João Pedro, estudante de Relações Internacionais

A montagem retoma um texto que permanece perturbadoramente atual. Quase 90 anos após sua criação, A Casa de Bernarda Alba segue interrogando as estruturas de controle, silêncio e resistência que atravessam a vida das mulheres — e o rock, com toda a sua carga de rebeldia, se mostra uma linguagem à altura desse confronto.


Serviço

Sair da versão mobile