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Cantoria de viola leva tradição nordestina à Biblioteca Belmonte

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A tradição da cantoria de viola volta a ocupar espaço em São Paulo com um encontro gratuito que promete transformar a manhã de sábado em uma celebração da cultura nordestina. No dia 27 de junho, das 11h às 14h, a Biblioteca Belmonte, em Santo Amaro, recebe o Encontro Mensal dos Repentistas Amigos de São Paulo, reunindo artistas que fazem da improvisação poética uma forma viva de expressão.

O evento, realizado em parceria com o Ponto de Cultura Repentistas Amigos de SP, propõe uma experiência direta com a cantoria de improviso — uma tradição baseada em versos criados na hora, guiados por regras rigorosas de rima, métrica e ritmo, sempre acompanhados pela viola.

Improviso que nasce no encontro com o público

Durante as apresentações, os repentistas constroem seus versos a partir de temas do cotidiano e, muitas vezes, de sugestões feitas pela própria plateia. Esse diálogo direto transforma cada apresentação em uma experiência única, marcada pela espontaneidade, pelo humor e pela habilidade técnica dos artistas.

Mais do que um espetáculo, a cantoria de viola é um exercício de escuta, memória e criação em tempo real. Cada rima carrega não apenas criatividade, mas também um profundo domínio da tradição oral que atravessa gerações.

Uma tradição que começa na infância

De acordo com o pesquisador de etnomusicologia e culturas do improviso da Universidade de Brasília (UnB), professor João Miguel Manzolillo Sautchuk, o contato com essa forma de expressão começa cedo, dentro do ambiente familiar.

A criança internaliza o ritmo, memoriza estrofes e começa a brincar de cantoria com os irmãos. Mais tarde, vira repentista e aprende a dar forma pública a sentimentos subjetivos

Esse processo natural de aprendizado ajuda a explicar por que a prática se mantém viva e relevante ao longo do tempo. Em 2021, a cantoria de improviso foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reforçando sua importância para a identidade cultural do país.

Resgate cultural em São Paulo

Além de promover apresentações, o encontro também funciona como um movimento de preservação cultural dentro da capital paulista. A Biblioteca Belmonte, que abriga acervos voltados à cultura popular brasileira e espaços dedicados à diversidade regional, se torna cenário para esse reencontro entre tradição e cidade.

Para a produtora cultural Telma Queiroz, do Ponto de Cultura Repentistas Amigos de SP, iniciativas como essa são fundamentais para manter viva a presença dos repentistas na cidade.

Antigamente, era comum ver repentistas cantando nas ruas, no coreto e nas praças por toda a cidade. Hoje isso acontece cada vez menos. Então, Santo Amaro (que tem histórico com a expressão do repente) e toda São Paulo precisam abraçar esses artistas novamente — é um resgate necessário

O coletivo reúne cerca de 40 artistas e atua na preservação, valorização e difusão da poesia improvisada com viola. Ao longo dos anos, o grupo participou de projetos e editais culturais, como a Mostra Chapéu de Palha, vencedora do Prêmio Patativa do Assaré, e realizou edições do Festival de Repentistas em 2005, 2015 e 2025, com apoio do Programa VAI, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Espaço que amplia a experiência cultural

Quem comparecer ao evento também poderá explorar os espaços da Biblioteca Belmonte, que vai além do acervo literário tradicional. O local conta com áreas dedicadas à cultura popular e um espaço infantil ambientado com referências culturais de diferentes regiões do Brasil, ampliando a experiência para públicos de todas as idades.

Assim, o encontro não se limita ao palco improvisado dos repentistas, mas se desdobra em uma imersão mais ampla na diversidade cultural brasileira.


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