Carolina Chalita volta aos palcos cariocas para desmontar o mito de Sherazade e questionar quem constrói as narrativas sobre a liberdade das mulheres.
O monólogo “Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria” retorna ao Rio para três apresentações no Teatro TotalEnergies, na Glória. Em cena, Chalita atua e assina a dramaturgia da livre adaptação do livro homônimo da escritora libanesa Joumana Haddad.
Indicada ao Prêmio APTR, a montagem propõe uma investigação sobre os pontos de contato e as distâncias entre as experiências de mulheres brasileiras e árabes. A direção é de Miwa Yanagizawa, com direção musical e trilha original de Beto Lemos e música ao vivo de Maria Clara Valle.
“Joumana Haddad nos apresenta um caminho para a libertação da hipocrisia da cultura patriarcal.”
A personagem que não aceita o mito
A peça acompanha as confissões de uma mulher árabe enfurecida pela forma como é vista tanto por seu próprio povo quanto pelo olhar preconceituoso do Ocidente. Pela literatura, ela busca enfrentar padrões patriarcais e reivindicar a possibilidade de escolher o que deseja ser.
No centro desse embate está Sherazade, personagem de “As mil e uma noites”. Tradicionalmente exaltada como uma figura de insubmissão por usar histórias para sobreviver ao sultão que assassinava mulheres, ela ganha outra leitura na obra de Haddad.
Para a autora libanesa, Sherazade não rompe necessariamente com o sexismo: sua estratégia de sobrevivência pode também encobrir uma mudança apenas aparente no comportamento do sultão. A adaptação leva esse conflito ao palco para questionar versões consolidadas sobre emancipação feminina.
Uma travessia pessoal e política
De ascendência libanesa, Carolina Chalita conta que se aproximou do texto ao assistir, em 2013, a uma leitura dramatizada de uma adaptação feita por Clarisse Niskier. Após obter a liberação para desenvolver a montagem, a atriz procurou Joumana Haddad para levar a obra ao teatro.
Com 20 anos de carreira, Chalita começou no teatro aos oito anos e estudou na Casa das Artes de Laranjeiras. A artista também integrou a Cia Teatro Esplendor, dirigida por Bruce Gomlevsky, e atuou em produções para televisão, cinema e teatro.
Depois da Glória, a peça segue viagem
Após a temporada no Teatro TotalEnergies, o espetáculo inicia uma circulação por unidades do Sesc RJ, com passagens por Teresópolis, Petrópolis, São João de Meriti, Nova Friburgo e Campos. Em outubro, a montagem também faz sessões no Centro Cultural do Poder Judiciário, no Centro do Rio.
Serviço
- Espetáculo: “Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria”
- Datas: 24, 25 e 26 de julho
- Horários: sexta-feira e sábado, às 20h; domingo, às 18h
- Local: Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch
- Endereço: Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro
- Ingressos: Plateia A, R$ 90 inteira e R$ 45 meia-entrada; Plateia B, R$ 50 inteira e R$ 25 meia-entrada
- Duração: 60 minutos
- Classificação: 14 anos
- Vendas e informações: https://www.ingresso.com/espetaculos/eu-matei-sherazade-confissoes-de-uma-arabe-em-furia
Circulação pelo estado
- Sesc Teresópolis: 08 de agosto, sábado, horário em breve. Avenida Delfim Moreira, 749, Várzea, Teresópolis
- Sesc Quitandinha: 28 de agosto, sexta-feira, horário em breve. Avenida Joaquim Rolla, 02, Quitandinha, Petrópolis
- Sesc São João de Meriti: 12 de setembro, sábado, horário em breve. Avenida Automóvel Clube, 66, Centro, São João de Meriti
- Sesc Nova Friburgo: 26 de setembro, sábado, horário em breve. Rua Cadete Xavier de Alencar, 01, Vila Nova, Nova Friburgo
- Sesc Campos: 23 de outubro, sexta-feira, horário em breve. Avenida Alberto Torres, 397, Centro, Campos
- Centro Cultural do Poder Judiciário: 06, 07, 13 e 14 de outubro, terças e quartas-feiras, às 18h. Avenida Erasmo Braga, 115, Centro, Rio de Janeiro





