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Casa Triângulo explora limites do suporte na ArPA

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Na ArPA 2026, a Casa Triângulo aposta em uma investigação direta sobre o papel do suporte na arte contemporânea, reunindo obras que transformam materiais em protagonistas da experiência visual. No estande B1, trabalhos de Eduardo Berliner, Max Gomez Canle, Lucas Simões e assume vivid astro focus (avaf) tensionam a ideia de superfície neutra e colocam em evidência a materialidade como elemento central.

A proposta parte de um deslocamento fundamental: o suporte deixa de ser apenas base para se tornar parte ativa da construção da obra. Madeira, pedra, metal e estruturas arquitetônicas passam a interferir diretamente na forma como as imagens surgem, se organizam e são percebidas pelo público.

Quando o suporte deixa de ser invisível

A seleção apresentada pela galeria se articula em torno de um ponto comum: o interesse pelos limites entre pintura, escultura, objeto e arquitetura. Ao reunir artistas com abordagens distintas, o estande constrói um campo de experimentação onde os materiais não apenas sustentam, mas condicionam a própria existência das obras.

Pedra, metal, madeira e objetos encontrados aparecem como elementos que carregam peso, textura e história. Essa dimensão física cria uma relação direta com o corpo do espectador, ampliando a percepção para além da imagem e ativando também a espacialidade e o volume.

O resultado é um conjunto em que a imagem não se impõe sobre o suporte, mas parece emergir dele. Há uma tensão constante entre delicadeza e brutalidade, entre a precisão do gesto artístico e a resistência da matéria.

Eduardo Berliner e a memória dos materiais

Nos trabalhos de Eduardo Berliner, pintura, desenho, escrita e objeto convivem de maneira fragmentária e intuitiva. O artista utiliza móveis, placas e blocos de madeira marcados pelo tempo, incorporando desgaste e memória como parte da linguagem.

Ao deslocar esses elementos de seus contextos originais, Berliner transforma superfícies comuns em campos carregados de tensão psicológica. O que antes era utilitário passa a operar como suporte poético, onde camadas visuais e simbólicas se acumulam.

Essa operação amplia a leitura da obra, fazendo com que cada peça carregue não apenas uma imagem, mas também vestígios de uso, história e presença.

Miniaturas densas de Max Gomez Canle

Max Gomez Canle apresenta pinturas realizadas diretamente sobre paralelepípedos, explorando a irregularidade e o peso do material como parte da composição. Sobre essas superfícies compactas, surgem paisagens, formas geométricas, animais e elementos que flertam com o metafísico.

A escala reduzida contrasta com a densidade dos blocos, criando o que pode ser percebido como uma espécie de “miniatura monumental”. Cada peça concentra um universo visual em um volume sólido, tensionando a relação entre imagem e matéria.

Essa escolha de suporte não apenas altera a aparência das obras, mas também redefine a forma como elas ocupam o espaço e se relacionam com o entorno.

Entre mobiliário e escultura

Lucas Simões assina o mobiliário do estande, concebido como parte integrante da proposta curatorial. Suas estruturas operam em um território híbrido, entre função prática, construção espacial e presença escultórica.

Mais do que suportes expositivos, os elementos criados pelo artista participam da narrativa do espaço, contribuindo para a forma como o público circula e percebe as obras.

Essa integração reforça a ideia central do estande: não há hierarquia clara entre suporte e obra, mas sim uma rede de relações que atravessa todos os elementos presentes.

Metal, brilho e arquitetura com avaf

O coletivo assume vivid astro focus (avaf) apresenta uma cortina metálica que transforma o material em uma superfície vibrante. A obra articula desenho, reflexo e estrutura arquitetônica, criando um campo visual dinâmico que reage à luz e ao movimento.

A presença do metal reforça o caráter físico da exposição, ao mesmo tempo em que introduz uma dimensão sensorial baseada no brilho e na reflexão. O suporte, mais uma vez, deixa de ser passivo e se torna elemento ativo da experiência.

Com isso, o estande amplia a discussão sobre os limites das linguagens artísticas e propõe uma leitura expandida da produção contemporânea.

Uma experiência guiada pela materialidade

Ao reunir artistas que exploram suportes não convencionais, a Casa Triângulo constrói um espaço onde a materialidade assume papel central. As obras não se apresentam como imagens isoladas, mas como corpos que ocupam, transformam e tensionam o ambiente.

A proposta convida o público a observar de perto as superfícies, volumes e estruturas, percebendo como cada escolha de material impacta diretamente a leitura e a experiência das obras.

Na ArPA 2026, o estande B1 se configura, assim, como um território de experimentação, onde o suporte deixa de ser invisível e passa a definir, de forma decisiva, o que a obra é e como ela se manifesta.


Serviço


Casa Triângulo explora limites do suporte na ArPA
Foto: Filipe Berndt/Cortesia Casa Triângulo
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