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CCBB amplia experiência com Vik Muniz em programação imersiva

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O CCBB Educativo – Lugar de Encontros transforma a visita à exposição “Vik Muniz – A olho nu” em uma experiência expandida, onde observar não é suficiente: é preciso participar, imaginar e experimentar. Em cartaz no CCBB Rio até 07/09/2026, a programação convida o público a mergulhar em atividades que atravessam arte, memória e percepção.

Na primeira quinzena de julho, visitas mediadas, laboratórios práticos e sessões de contação de histórias assumem o papel de mediadores entre o público e a obra de Vik Muniz. A proposta vai além da contemplação estética: busca provocar novas formas de enxergar imagens, narrativas e o próprio mundo.

Histórias que ampliam o olhar

Entre os destaques da programação está o repertório “Histórias pra Ver o Invisível”, que reúne narrativas tradicionais de diferentes culturas para desafiar a lógica e expandir a imaginação. A seleção inclui histórias de Nasrudin, figura popular do Oriente Médio, e o clássico “A Roupa Nova do Rei”, de Hans Christian Andersen.

Com humor e elementos simbólicos, as histórias estimulam reflexões sobre comportamento, percepção e construção da realidade — temas diretamente ligados à obra de Vik Muniz, conhecida por brincar com ilusões visuais e ressignificação de imagens.

A proposta de usar a narrativa como ferramenta educativa é central no projeto. A coordenadora Daniela Chindler reforça a importância desse recurso:

Ouvir histórias deveria ser uma dieta prescrita pelos pediatras como “alimento” fundamental durante a infância. Não é por acaso, que nas antigas civilizações o contador tinha o título de bruxo, sacerdote, curandeiro, pois magia é uma das palavras que melhor expressam o que se passa quando estamos vivendo dentro do mundo do “faz de conta”.

A fala sintetiza a essência do projeto: transformar o aprendizado em experiência sensível, onde imaginação e conhecimento caminham juntos.

Laboratórios que colocam o público em ação

No campo prático, o laboratório “O que a luz mostra” convida crianças a partir de 7 anos e adultos a experimentar a cianotipia, técnica fotográfica que utiliza a luz para criar imagens. A atividade dialoga diretamente com os processos criativos de Vik Muniz, que frequentemente explora materiais e métodos não convencionais.

A experiência propõe um deslocamento: o visitante deixa de ser apenas espectador e passa a investigar, testar e descobrir como a imagem pode surgir de formas inesperadas. É um exercício de percepção, mas também de curiosidade.

Outras atividades ampliam essa abordagem experimental, como “Luminando Histórias”, com teatro de sombras, e “Era uma vez no século XIX”, que convida crianças a reinventarem narrativas a partir de fotografias históricas.

Imaginário brasileiro em destaque

O projeto mantém um compromisso contínuo com a valorização da cultura brasileira, especialmente por meio da oralidade. Em julho, a narrativa “A Lenda da Noite” traz uma história da tradição indígena amazônica, em que jovens partem em busca da noite escondida no fundo de um rio.

A presença de elementos como a cobra-grande e os “encantados” conecta o público a universos simbólicos profundamente enraizados na cultura do Norte do país, reforçando a diversidade de referências presentes na programação.

Outras histórias também compõem esse mosaico cultural, como “O Grande Mistério”, inspirado na origem do povo Iny (Karajá), e “O Boi de Milagres”, que atravessa gerações até se transformar em manifestação popular.

Experiências para diferentes idades

A programação do CCBB Educativo – Lugar de Encontros foi pensada para atender públicos diversos, incluindo crianças pequenas, famílias e visitantes interessados em experiências sensoriais e educativas.

Atividades como “Pequenos Exploradores” transformam o prédio histórico do CCBB em um espaço de descobertas, enquanto “Pequenas Mãos” e “Pequeníssimas Mãos” utilizam luz, som e objetos para estimular a percepção desde a primeira infância.

Já o “Livro Vivo” promove encontros com a leitura a partir de obras que exploram imaginação, linguagem visual e narrativa, incentivando novos leitores a partir de experiências compartilhadas.

Mediação que conecta arte e público

As visitas mediadas à exposição “Vik Muniz – A olho nu” seguem como eixo central da programação, oferecendo diferentes abordagens, incluindo sessões com intérprete em Libras e percursos temáticos como “Caminhos da Memória”.

Mais do que explicar obras, a mediação propõe diálogo. O visitante é convidado a construir interpretações, compartilhar percepções e refletir sobre os sentidos das imagens — um processo alinhado à proposta do artista e do próprio CCBB Educativo.

O projeto parte da ideia de que o conhecimento é construído coletivamente, por meio da escuta, da troca e da convivência. Nesse contexto, arte e educação deixam de ser campos separados e passam a atuar de forma integrada.


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