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Cia Jovem de Dança ocupa Sala Motiva com sessões gratuitas

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A São Paulo Companhia Jovem de Dança sobe ao palco da Sala Motiva, nos dias 29 e 30 de maio, às 20h30, com um programa que combina tradição e contemporaneidade em duas obras de forte identidade estética. Com entrada gratuita, a apresentação reúne a releitura de “Carmen”, assinada por Gisele Bellot, e “Aroeira”, de Anelita Gallo, consolidando o espaço como ponto de encontro entre público e novas gerações da dança.

Formado por 20 bailarinos selecionados pela São Paulo Escola de Dança (SPED), o grupo representa uma etapa fundamental de transição entre formação e carreira profissional. Em cena, os intérpretes atravessam diferentes linguagens coreográficas, explorando repertórios que ampliam tanto o domínio técnico quanto a capacidade expressiva.

Carmen entre tradição e urgência contemporânea

A releitura de “Carmen”, criada por Gisele Bellot, parte do imaginário construído ao longo do tempo em torno da personagem — da novela de Prosper Mérimée às diversas adaptações na música e na dança. A obra propõe um território onde passado e presente se encontram, tensionando temas que permanecem atuais.

No palco, a narrativa se desloca para além da história original e se transforma em um campo aberto de sentidos. A sensualidade aparece como afirmação do corpo, enquanto as relações humanas se desdobram em conflitos marcados por desejo, poder e liberdade. A coreografia busca provocar reflexões sobre pertencimento e igualdade, articulando referências clássicas com questões contemporâneas.

A montagem conta com direção musical de Cacá Machado, figurinos de Miriane Martineli, iluminação de Guilherme Paterno e roteiro assinado por Gisele Bellot, Inês Bogéa e José Simões.

Aroeira e a potência do florescimento

Em contraste com a densidade narrativa de “Carmen”, “Aroeira”, de Anelita Gallo, aposta em uma abordagem poética sobre o florescer como força vital. Inspirada na árvore que dá nome à obra, a coreografia transforma o palco em um espaço de expansão, resistência e renovação.

Os corpos em cena brotam, se entrelaçam e se expandem, criando imagens que dialogam com a ideia de renascimento. A linguagem coreográfica mistura elementos do jazz dance com movimentos percussivos, construindo uma peça marcada pelo ritmo e pela energia.

Com trilha sonora original de Carlos Bauzys, figurinos de Acrides e iluminação de Marcel Rodrigues, “Aroeira” se afirma como um trabalho que explora o movimento como expressão da vida em constante transformação.

Formação e experiência em cena

A São Paulo Companhia Jovem de Dança integra o Curso de Especialização em Dança: Intérprete-Criador, que combina prática técnica e pensamento crítico. A proposta é oferecer aos bailarinos uma vivência próxima à rotina profissional, incluindo ensaios, processos criativos e apresentações.

Para Inês Bogéa, diretora artística e educacional da SPED, o encontro com o público na Sala Motiva amplia o alcance do trabalho desenvolvido pela companhia e fortalece a formação dos artistas.

“Obras como ‘Carmen’ e ‘Aroeira’ revelam a potência criativa dessas artistas em diálogo com a contemporaneidade e oportunizam aos jovens bailarinos vivenciarem diferentes linguagens e experienciarem a vida artística”, afirma Inês Bogéa.

A diretora também destaca o impacto da gratuidade das apresentações. Segundo ela, a iniciativa contribui para democratizar o acesso à dança e ampliar a formação de público, além de proporcionar uma experiência especial para participantes da Jornada Paulista de Dança.

Uma companhia em construção

Criada em 2025 pelo Governo do Estado de São Paulo, a São Paulo Companhia Jovem de Dança se consolida como um espaço de experimentação e desenvolvimento artístico. A iniciativa integra a estrutura da São Paulo Escola de Dança e busca preparar novos profissionais para o cenário contemporâneo.

Ao vivenciar o cotidiano de uma companhia, os bailarinos aprofundam suas técnicas e desenvolvem autonomia criativa. O projeto também amplia possibilidades de atuação, fortalecendo trajetórias individuais e coletivas dentro da dança.

A São Paulo Escola de Dança, criada em 2021, atua como um território de formação, criação e reflexão. Com cursos gratuitos e iniciativas como residências artísticas e intercâmbios culturais, a instituição reforça o compromisso com a democratização do acesso à arte e a formação de artistas e cidadãos.

A presença da Companhia Jovem na Sala Motiva, portanto, vai além da apresentação de um espetáculo. Trata-se de um momento de partilha entre artistas em formação e o público, em um ambiente que valoriza o encontro sensível e a construção coletiva da experiência artística.


Serviço


Cia Jovem de Dança ocupa Sala Motiva com sessões gratuitas
Foto: Charles Lima
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