A ocupação cênica dos espaços públicos ganha contornos litorâneos e latino-americanos quando a tradição do picadeiro toma as calçadas internacionais sem artifícios elétricos.
Dez artistas marcham em sincronia conduzindo o público entre números de malabarismo, equilíbrio e acrobacias aéreas que subvertem a rotina urbana. O coletivo Circo da Silva ultrapassa as fronteiras nacionais para apresentar o espetáculo itinerante FUNIL no tradicional 58º Festival Internacional de Teatro de Manizales, considerado uma das principais vitrines das artes cênicas da América Latina.
Queríamos trazer para a cena a memória e a poesia do circo clássico, mas sem fazer uma reprodução do passado. Relembrar a tecnologia ancestral dos instrumentos de sopro e dos corpos vibrantes em cena se equilibrando sem cabos de energia.
A concepção cênica coloca uma palhaça na linha de frente dos músicos, guiando a plateia enquanto desdobra diálogos diretos com o público. Sob a direção de Paula Preiss, a obra aposta na pesquisa de fotografias antigas para compor uma identidade visual em preto e branco desenhada pela figurinista Helen Quintans, evocando memórias clássicas do picadeiro com vigor contemporâneo.

Sopros, tambores e acrobacias em cena aberta
O repertório musical que embala o cortejo é assinado pelo compositor chileno Arturo Cussen, extraído do álbum autoral do grupo. Uma orquestra ambulante composta por trombone, trompete, saxofone, clarinete, tuba, caixa e bombo transita livremente entre polcas, valsas e nuances rítmicas tropicais, criando círculos festivos por onde passam transeuntes e espectadores.
As proezas corporais ganham destaque com as intervenções de bambolê e acrobacias em dupla executadas por Eline Hirano, além da parada de mãos performada por Lourivan André. A formação instrumental completa conta ainda com Mariani Fernandes, Luísa Nascimento, Fernando Junqueira, Alberto Labaki, Iago Tojal e Érico Damineli, articulando som e movimento sem amplificações sintéticas.

Duas décadas de pontes culturais latino-americanas
Fundado em 2006 e atualmente radicado em Maricá, no litoral fluminense, o grupo soma 20 anos contínuos de investigações cênicas autorais, com passagens prévias por circuitos de rua no México, Chile, Argentina, Uruguai e Peru. Obras anteriores como Banda de Muvuca, RIANTE! e Humanimal pavimentaram essa linguagem que mescla dramaturgia circense, formação comunitária e música ao vivo.
O desembarque na 58ª edição do encontro colombiano celebra essa maturidade coletiva. Criado em 1968 e retomado com frequência anual desde 1984, o evento elegeu como tema norteador o estreitamento de laços artísticos e a reflexão sobre crises civilizatórias. A circulação internacional conta com suporte institucional da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Governo do Rio de Janeiro, viabilizada pelo Edital Loco Por Ti, América 2026.

Ficha técnica da montagem
- Concepção e Direção Artística: Paula Preiss
- Direção Musical e Clarinete: Arturo Cussen
- Produção: Willian Silva e Tayara Maciel
- Bambolê e Acrobacia em Dupla: Eline Hirano
- Parada de Mãos e Acrobacia em Dupla: Lourivan André
- Saxofone: Érico Damineli
- Trombone: Mariani Fernandes
- Trompete: Luisa Nascimento
- Tuba: Alberto Labaki
- Bombo: Iago Tojal
- Caixa: Fernando Junqueira
- Duração: 55 minutos
Serviço
- Espetáculo: FUNIL com Circo da Silva
- Apresentação 1: 3 de outubro, às 16h, na Plazoleta Del Cable – Faculdade de Arquitetura
- Apresentação 2: 4 de outubro, às 15h, no Parque Ernesto Gutiérrez
- Evento: 58º Festival Internacional de Teatro de Manizales (FITM) – Manizales, Colômbia
