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Circo ocupa o Teatro Carlos Gomes com musical afro-brasileiro

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Com 23 artistas circenses e banda ao vivo, a montagem inédita Alegrai transforma ritos afro-brasileiros e memórias do teatro de revista em experiência cênica no Centro carioca.

A força das ruas, as manifestações de matriz africana e a tradição dos picadeiros se encontram nos palcos convencionais com a chegada de Alegrai, um musical circense brasileiro. Idealizado por Ivo Oliveira e Luciana Nabuco, que assinam juntos o texto e a encenação, o projeto resgata a mística do Povo da Lira ao fundir encantarias, carnaval e dramaturgia popular.

Pela primeira vez em quase 100 anos, uma companhia circense ocupa novamente um teatro na mítica Praça Tiradentes. O espetáculo é a celebração da cultura popular através do circo, as tradições afro-brasileiras, a música, o samba, o carnaval, a ancestralidade pulsante.

Circo ocupa o Teatro Carlos Gomes com musical afro-brasileiro
Foto: Renzo Gostoli e Juliana Cofe

Travessia do picadeiro para a cena dramática

Durante três temporadas, a estrutura original da criação funcionou como uma sucessão de números acrobáticos no picadeiro do Instituto Unicirco Marcos Frota, sediado na Quinta da Boa Vista. Agora, o espetáculo ganha formato de narrativa teatral completa ao ocupar o tradicional Teatro Carlos Gomes, localizado na Praça Tiradentes, marcando um retorno simbólico da arte circense à região central.

O elenco estabelece um diálogo entre gerações artísticas. A montagem reúne a experiência do veterano José Araújo, aos 82 anos, ao lado de nomes expressivos da nova cena carioca, como as cantoras Júlia Vargas e Nina Wirtti, além do ator Hugo Germano, encarregado da preparação cênica dos artistas.

Música autoral e diálogos de pensamento

A partitura musical conduz o andamento dramatúrgico da obra sob comando conjunto de Ivo Oliveira e Rodrigo Ferrera. Fruto de composições originais elaboradas ao lado de Mauro Aguiar, Yuri Villar e parceiros, o cancioneiro serviu de alicerce para erguer o enredo da peça a partir do frevo que dá nome à produção.

Como extensão reflexiva da temporada, o espaço recebe no dia 9 de outubro, às 15h, o debate “Mandingas brasileiras e fundangas encantadas”. Realizado com entrada franca no Salão Guarany, o encontro traz reflexões do escritor Luiz Antonio Simas, da cantora Rita Benneditto e do professor Rafael Haddock-Lobo, sob mediação de Brendow Gabriel, integrando filosofia e vivências populares.

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