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Clássico brasileiro ganha sessão gratuita no Cine Arte UFF

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O clássico Proezas de Satanás na Vila de Leva-e-Traz, dirigido por Paulo Gil Soares, volta à tela grande em uma sessão gratuita promovida pelo Cineclube Rã Vermelha no Cine Arte UFF, no dia 25 de junho, às 19h. A exibição resgata uma das obras mais singulares do cinema brasileiro dos anos 1960 e propõe uma experiência ampliada com debate logo após o filme.

A iniciativa reforça a proposta do cineclube de aproximar o público de produções marcantes e pouco exibidas, criando um espaço de troca e reflexão. Após a sessão, participam da conversa Lucas Reis, mestre e doutorando em Cinema e Audiovisual pela UFF, e Adriano Del Duca, sociólogo pela UNESP, mestre em Cinema e Audiovisual pela UFF e doutorando em Educação pelo PPGE-UFRJ.

Uma sátira entre o real e o fantástico

Lançado em 1967, o filme mistura comédia, crítica política, religiosidade popular e elementos da literatura de cordel para construir uma narrativa marcada pelo humor e pela provocação. A obra dá continuidade à investigação de Paulo Gil Soares sobre a cultura sertaneja, tema já presente em trabalhos anteriores como Memória do Cangaço (1964).

No centro da história está o vilarejo fictício de Leva-e-Traz, que tem sua rotina alterada após a descoberta de um poço de petróleo. A promessa de progresso desencadeia uma debandada: jovens e até o padre deixam a cidade, restando apenas idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade.

É nesse cenário que surgem acontecimentos insólitos que anunciam a chegada de Satanás — uma figura irreverente, mutável e profundamente estratégica. Ao assumir diferentes formas, ele conquista a confiança da população e se torna peça central de uma engrenagem simbólica que expõe as ilusões coletivas ligadas ao desenvolvimento.

Crítica social em tom popular

A narrativa transforma o sobrenatural em ferramenta crítica. Entre promessas grandiosas, milagres e alianças com figuras políticas locais, o personagem de Satanás ganha devoção e influência, revelando um retrato ácido das estruturas sociais e das expectativas que marcaram o Brasil dos anos 1960.

Exibir Proezas do Satanás na Vila do Leva-e-Traz é reafirmar o compromisso do Cineclube Rã Vermelha com o cinema brasileiro fantástico. O filme conjuga sobrenatural e critica social criando uma poderosa ferramenta de reflexão sobre a sociedade e a cultura do país

A declaração é de Fabrício Basílio, um dos idealizadores do cineclube, que destaca o papel da obra como exemplo potente de cinema de gênero no Brasil, capaz de dialogar com questões profundas por meio de uma linguagem acessível e inventiva.

O elenco reúne nomes como Emmanuel Cavalcanti, Jofre Soares, Joel Barcellos e Thelma Reston. A trilha sonora, marcada por canções de Caetano Veloso, funciona como comentário irônico dos acontecimentos, ampliando o alcance crítico da narrativa.

Reconhecimento e redescoberta

O impacto do filme foi imediato à época de seu lançamento. Em 1967, conquistou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Argumento e Melhor Música no Festival de Brasília, além de receber o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema de Paris, concedido pela Office Catholique Internationale du Cinéma (OCIC).

Décadas depois, a obra continua a despertar interesse por sua originalidade estética e relevância temática. Para o Cineclube Rã Vermelha, a sessão representa uma oportunidade de reconexão do público com um título que permanece atual em suas reflexões.

Entre causos, assombrações e personagens inesquecíveis, o filme nos convida a atravessar uma vila onde o real e o imaginário caminham lado a lado. Poucos filmes conseguem ser tão divertidos, irreverentes e provocadores quanto Proezas do Satanás na Vila do Leva-e-Traz

A avaliação é de Otávio Lima, um dos criadores do cineclube, que reforça o desejo de ampliar o acesso a produções brasileiras marcantes por meio de exibições coletivas e debates.

Cineclube como espaço de formação

Criado em 2014 por estudantes da Universidade Federal Fluminense, o Cineclube Rã Vermelha se consolidou como um espaço voltado à formação de público e difusão audiovisual. Após uma interrupção em 2020, o projeto foi retomado em 2024, reafirmando sua atuação no cenário cultural.

Com patrocínio da Prefeitura Municipal de Niterói, por meio da Secretaria Municipal das Culturas, e do Governo Federal via Política Nacional de Fomento à Cultura (PNAB), o cineclube é realizado pela Fantascópio Produções e produzido pela Comala Filmes.

A proposta vai além da exibição de filmes: busca estimular o pensamento crítico, valorizar o cinema de gênero e criar um ambiente de encontro entre obras, realizadores e público.

Mais informações sobre a programação e atividades formativas estão disponíveis nas redes sociais do projeto: @cinecluberavermelha.


Serviço

Clássico brasileiro ganha sessão gratuita no Cine Arte UFF
Foto: Divulgação
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