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Comédia questiona o mito bandeirante em SP

Gratuita e itinerante, Entre a Cruz e os Canibais revisita 1599 com humor ácido para expor as origens violentas de São Paulo. Temporada em março.

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Uma farsa sobre o nascimento de São Paulo

Após a estreia no início de 2026, o espetáculo Entre a Cruz e os Canibais inicia sua circulação por diferentes regiões da capital paulista. Com entrada gratuita, a montagem chega ao CEU Alvarenga, ao Teatro Leopoldo Fróes, ao CEU Parque Anhanguera e à Galeria Olido — reafirmando seu compromisso com a descentralização cultural e o acesso da população, inclusive alunos da rede pública.

A dramaturgia é de Marcos Damigo, que assina também a direção artística. Em tom de comédia farsesca, a peça ambienta-se em 1599 para retratar o descompasso entre o projeto colonial português e a realidade da então Vila de São Paulo de Piratininga. Quatro figuras de poder — o Juiz, o Vereador, o Procurador e o Governador-geral Dom Francisco de Souza — disputam autoridade em meio a uma crise política iminente.

O conflito que moldou uma identidade

Enquanto os moradores se revoltam contra os desmandos do Juiz, cresce o temor de um ataque indígena provocado pelo sequestro ilegal de tupis aliados. O Procurador — um degredado com laços próximos aos indígenas — aposta na intervenção da Coroa para fazer cumprir a lei que proíbe a escravização. O resultado é um retrato incisivo do embrião da exploração da mão de obra indígena, justamente quando São Paulo ensaiava seu primeiro impulso de progresso econômico.

A proposta não é reconstituir fielmente os fatos históricos, mas tratar os personagens como tipos, evidenciando a engrenagem de poder e os interesses que moldaram a narrativa heroica dos bandeirantes.

Elenco, trilha e estética

No elenco estão José Rubens Chachá (Juiz), Fabio Esposito (Vereador), Daniel Costa (Procurador) e Thiago Claro França (Governador-geral). A trilha sonora original é de Adriano Salhab, que também atua ao vivo com Thiago Claro França. O figurino, assinado por Marichilene Artisevskis, incorpora referências do modernismo e da tropicália — movimentos que revisitaram criticamente a identidade nacional. O cenário é composto por lonas pintadas à mão, e a criação em vídeo é do cineasta guarani Richard Wera Mirim.

A consultoria histórica foi realizada pelos historiadores Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani, e a consultoria dramatúrgica é de Luís Alberto de Abreu. O espetáculo tem patrocínio da Google Cloud por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (PROMAC).

Serviço

Entre a Cruz e os Canibais

Duração: 85 minutos | Classificação indicativa: 12 anos | Gênero: comédia musical

Haverá bate-papo em todas as sessões. Libras e Audiodescrição nas sessões das 20h dos dias 18, 20 e 27 de março, e na sessão do dia 28 de março.

18 de março (quarta-feira), às 15h e 20h

CEU Alvarenga — Estr. do Alvarenga, 3752 – Balneário São Francisco – São Paulo/SP

20 de março (sexta-feira), às 15h e 20h

Teatro Leopoldo Fróes — Av. João Dias, 822 – Santo Amaro – São Paulo/SP

27 de março (sexta-feira), às 15h e 20h

CEU Parque Anhanguera — R. Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera – São Paulo/SP

28 de março (sábado), às 19h

29 de março (domingo), às 18h

Galeria Olido – Sala Olido — Av. São João, 473 – Centro Histórico – São Paulo/SP

Entrada gratuita

Foto: Heloisa Bortz

Comédia questiona o mito bandeirante em SP
Foto: Divulgação
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