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Coral Paulistano cruza cinco séculos de música no concerto Luz e Sombra

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Diferentes épocas da música vocal colidem no concerto Luz e Sombra, unindo o rigor renascentista a composições contemporâneas em uma investigação acústica sobre contrastes poéticos e humanos.

As regentes Maíra Ferreira e Isabela Siscari assumem a direção musical do Coral Paulistano para desenhar uma travessia sonora focada nas transformações estéticas da polifonia. O programa conecta obras raras dos séculos XVI e XVII a partituras contemporâneas dos séculos XX e XXI, articulando noções de luminosidade, densidade dramática e contemplação espiritual.

O programa explora contrastes de luminosidade, estilos e atmosferas poéticas, aproximando obras do Renascimento e do início do Barroco de composições dos séculos XX e XXI, revelando como luz e escuridão, dia e noite, prazer e dor atravessam a criação coral ao longo dos séculos e chegam até os dias de hoje.

Coral Paulistano cruza cinco séculos de música no concerto Luz e Sombra
Foto: Rafael Salvador

O embate entre tradição polifônica e escrita moderna

A arquitetura musical do espetáculo estrutura diálogos diretos entre autores separados por séculos. A monumentalidade polifônica de Giovanni Gabrieli na peça “Exaudi Domine a 16 vozes” e o lirismo renascentista de Maddalena Casulana em “Ridon’ hor per le piagge” dividem espaço com a sensibilidade de Silvia Berg em “Agua Nocturna” e a densidade atmosférica de Eric Whitacre em “Water Night”.

A experimentação vocal amplia as fronteiras da performance por meio de partituras experimentais como “Sound Patterns”, da compositora norte-americana Pauline Oliveros, e “El sendero ancho”, de Tania León. Nessas criações, o coro utiliza timbres e técnicas estendidas para projetar elementos do noturno, da pequenez humana e do desconhecido.

Coral Paulistano cruza cinco séculos de música no concerto Luz e Sombra
Foto: Rafael Salvador

Paisagens naturais e dramas poéticos

As variações de luz inspiradas por ciclos solares e águas correntes ganham tratamento sonoro a partir de madrigais de Claudio Monteverdi e Luca Marenzio, além da complexidade rítmica de György Ligeti em “Éjszaka és Reggel”. A passagem do tempo e as atmosferas do dia deixam de ser meros temas literários para se tornarem matéria acústica ativa.

As tensões humanas e espirituais são aprofundadas com as harmonias cromáticas e audaciosas de Carlo Gesualdo em “O dolorosa gioia” e com a expressividade dramática de Jaakko Mäntyjärvi em peças concebidas sobre textos de William Shakespeare.

O espetáculo tem apresentação única agendada para o dia 24 de setembro, às 20h, ocupando a Sala do Conservatório, espaço sediado no complexo da Praça das Artes, com ingressos disponíveis a preços acessíveis.

Coral Paulistano cruza cinco séculos de música no concerto Luz e Sombra
Foto: Rafael Salvador

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