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Cordélia Brasil expõe feridas do etarismo e da misoginia no Teatro da UFF

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A luta silenciosa de uma mulher para sustentar a própria casa diante da inércia do companheiro ganha os palcos de Niterói na clássica comédia dramática de Antonio Bivar.

Enclausurada em uma quitinete decadente no Rio de Janeiro, a personagem-título vivida por Paula Goja precisa lidar com o limite da exaustão. Para garantir o próprio sustento e o do marido Leônidas, interpretado por Antonio Pina, a protagonista se desdobra como auxiliar de escritório e passa a se prostituir, confrontando a estagnação do parceiro e as imposições estruturais de gênero.

Com crítica pungente ao etarismo, o texto de Antonio Bivar nos convoca à desconstrução na busca pela consolidação da equidade entre os gêneros.

O absurdo da sobrevivência e a ruptura

A montagem dirigida pelo aclamado João Fonseca equilibra fantasia e realismo cru ao retratar o cotidiano de figuras levadas ao extremo. A dinâmica desgastada da casa entra em colapso definitivo com a chegada do jovem Rico, papel assumido por Pedro Pedruzzi, que desestabiliza a convivência do casal e intensifica os conflitos.

Escrita originalmente em 1968, a obra mantém vigor crítico mais de cinco décadas após seu lançamento. A narrativa coloca em pauta o etarismo, a misoginia e os papéis historicamente atribuídos às mulheres, questionando as cobranças de cuidado compulsório que ainda recaem sobre a condição feminina na sociedade contemporânea.

A produção, assinada pela Persona Produções, já circulou com sucesso por palcos como Teatro Firjan SESI Caxias, Futuros, Casa de Cultura Laura Alvim, Centro Cultural Justiça Federal e Teatro Vannucci.

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