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Demasiado Juntas percorre o Rio com circo, humor e segredos

Demasiado Juntas percorre o Rio com circo, humor e segredos

Premiada por Melhor Texto, Demasiado Juntas leva ao Sesc RJ a história surreal de irmãs siamesas num circo criollo — entre riso, dor e falso documentário.

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Há espetáculos que chegam com histórico. Demasiado Juntas vem com prêmio, trajetória internacional e uma premissa que não se esquece facilmente: duas irmãs siamesas nascidas num circo, unidas num único corpo, tentando viver vidas separadas. A montagem, vencedora do Prêmio I Love PRIO de Melhor Texto e indicada também nas categorias Performance e Prêmio Especial do Júri, inicia em maio sua circulação pelo estado do Rio de Janeiro pelo Edital de Cultura Sesc Pulsar RJ.


A temporada começa no dia 7, no Sesc Ramos, e percorre ao longo do mês unidades em Teresópolis, São Gonçalo, Madureira, Nova Friburgo e Petrópolis. São seis cidades, seis encontros com um trabalho que já passou pelo Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro e estreou com sucesso em Montevidéu.


Um circo entre a memória e a invenção


Idealizada e protagonizada pelas uruguaias Leonor Chavarría e Florencia Santángelo — esta última radicada no Rio de Janeiro —, a peça acompanha Yvonne e Mabel, gêmeas siamesas nascidas num circo criollo do Rio da Prata. O formato, popular no início do século XX, misturava atrações circenses e melodrama de forma parecida com o circo-teatro brasileiro. Unidas num só corpo, as irmãs enfrentam os impasses do crescimento, da vida artística e da convivência extrema, com segredos de família, desejo de autonomia e o fantasma do esquecimento rondando cada cena.


A direção é de Richard Riveiro, com versão brasileira de Beatriz Sayad. O cenário, que remete a caixas chinesas, tem no centro um carromato — cabine móvel típica de circos itinerantes — criando uma atmosfera suspensa entre o real e o imaginário.


O jogo do falso documentário


A linguagem escolhida é a do falso documentário. O público acompanha, ao vivo, a suposta gravação de um filme biográfico sobre as irmãs: depoimentos, entrevistas e números de cena se misturam, embaralhando memória, invenção e espetáculo. A quarta parede é quebrada com naturalidade, e o espectador entra no jogo sem aviso prévio.


A escolha pelo falso documentário nos permite criar uma estrutura narrativa onde as memórias das irmãs possam surgir. Ao mesmo tempo, instauramos um jogo de linguagem que quebra a quarta parede e possibilita uma comunicação mais direta com o espectador.

Florencia Santángelo

Inspiração em histórias reais


A ficção tem raízes documentadas. Leonor Chavarría conta que a peça foi inspirada na trajetória das Irmãs Hilton, siamesas inglesas que fizeram sucesso nos circos dos Estados Unidos e atuaram no filme Freaks, antes de enfrentarem uma dura decadência. O espetáculo também dialoga com a história de Gypsy Rose Blanchard e com o clássico cinematográfico O Que Terá Acontecido a Baby Jane? — referências que iluminam os temas de controle, dependência e identidade que atravessam toda a dramaturgia.


A peça foi inspirada na trajetória real das Irmãs Hilton, siamesas inglesas que fizeram sucesso nos circos dos Estados Unidos e atuaram em Freaks, antes de enfrentarem uma dura decadência. Também dialogamos com referências como a história de Gypsy Rose Blanchard e o clássico O Que Terá Acontecido a Baby Jane?

Leonor Chavarría

Parceria de mais de duas décadas


Chavarría e Santángelo são parceiras artísticas desde 2001, com pesquisas que transitam por teatro físico, comédia e autoficção. Demasiado Juntas é o terceiro trabalho conjunto da dupla: em 2017 criaram Latência; em 2020, durante a pandemia, lançaram Dos Hermanas, minissérie teatral sobre distância e afeto. A nova montagem reafirma essa sintonia criativa e aprofunda o diálogo com o público fluminense.




Serviço




Demasiado Juntas percorre o Rio com circo, humor e segredos
Foto: Divulgação
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