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Dinah Feldman une memórias, pontes culturais e duas décadas de teatro

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Cruzando fronteiras culturais e investigando silêncios históricos entre gerações, a atriz Dinah Feldman celebra mais de duas décadas de trajetória artística ao protagonizar a adaptação teatral de “Mazal Tov – Quando a Vida Sorri” e projetar novos rumos para produções autorais.

O que mais me atrai é essa curiosidade permanente pelo outro, compreendendo escolhas, afetos e os encontros que transformaram a vida.

A investigação do comportamento humano e a busca por conexões reais definem a nova fase da atriz Dinah Feldman. No espetáculo “Mazal Tov – Quando a Vida Sorri”, em cartaz no Teatro Moise Safra entre 4 de agosto e 30 de setembro, ela encarna a escritora Margot na adaptação do livro da autora belga J. S. Margot. Com direção assinada por Dan Rosseto, a montagem expõe as transformações de uma mulher que ultrapassa limites geográficos e culturais ao se aproximar de uma família de judeus ortodoxos.

A identificação com a personagem surge também no histórico da própria intérprete. Formada em jornalismo e vinda de uma família com raízes na Rússia, Romênia e Egito, Feldman encontrou na curiosidade investigativa a ponte ideal para a construção cênica. A herança cultural judaica, vivenciada desde o colégio por meio das expressões artísticas, surge como elemento orgânico nas histórias que escolhe contar.

A mala de guerra e o resgate da memória

Além da temporada em cartaz, a trajetória da artista é marcada pelo impacto de “O Vazio na Mala”, obra autoral estruturada a partir do testemunho de seu primo e de uma mala histórica preservada no Museu Judaico de São Paulo. O espetáculo investiga silêncios, rupturas e marcas emocionais passadas entre três gerações em diferentes continentes.

Após apresentar os processos criativos da obra durante uma conferência na China, o projeto estrutura etapas de circulação internacional e temporadas pelas capitais brasileiras, incluindo retornos a São Paulo e ao Rio de Janeiro. A narrativa reafirma a força dos relatos que partem de documentos íntimos para alcançar debates universais.

Oralidade e expansão de horizontes cênicos

A relação com a palavra falada se consolidou ao longo de dez anos de parceria com a atriz Fernanda Viacava e em passagens por eventos na África, na Colômbia e em Israel. O repertório inclui performances narradas dentro de rios até intervenções em bibliotecas na periferia paulistana para jovens em processo de recuperação, reafirmando o potencial de escuta do teatro.

Olhando para o futuro, Dinah Feldman projeta caminhos no audiovisual e o desejo de explorar textos clássicos de autores como Shakespeare, Tchekhov e os trágicos gregos, além de manter o foco em figuras femininas de resistência histórica.

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