Peça com moradores da Maré estreia em dezembro e aborda censura, violência estatal e resistência cultural no território.
O Governo Federal, o Ministério da Cultura, o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa apresentam, por meio da Política Nacional Aldir Blanc e da Lei ISS/LAMSA, o espetáculo “Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas”. A montagem, criada por atores e equipe técnica moradores da Comunidade da Maré, chega aos palcos do Rio em dezembro.
A peça, baseada na obra de Gizele Martins, documentarista premiada, e escrita por Matheus Frazão, mergulha nas vivências e nas histórias de luta e resistência de um dos maiores complexos de favelas do Rio.
O projeto sociocultural Entre Lugares Maré, reconhecido como Escola Livre de Formação em Arte e Cultura certificada pelo Ministério da Cultura, apresentará o espetáculo a partir das respostas dos alunos às oficinas aplicadas neste ciclo formativo.
“Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas”, escrito por Matheus Frazão, arte-educador do projeto, será apresentado no Teatro Museu da Maré nos dias 05, 06, 07, 12, 13 e 14 de dezembro, às 19h30, na 13ª edição da oficina de formação cultural.
A montagem se inspira no livro “Militarização e Censura – a luta por liberdade de expressão na Favela da Maré”, de Gizele Martins. A autora, ao lado de Natasha, recebeu o prêmio de melhor documentário no Festival do Rio 2025 com “Cheiro de Diesel”, obra que registra o impacto da militarização na vida dos moradores das favelas da Maré e da Penha.
O espetáculo reforça o contexto tratado por Gizele e leva ao palco as vozes silenciadas pelo Estado, marcadas pela censura e pela violência institucional. A obra expõe o apagamento das forças comunitárias e a resistência de quem ousou denunciar violações sistemáticas.
“Entre Lugares”: a potência das falas da Maré
Todos os anos, o projeto oferece pelo menos cinco oficinas artísticas, técnicas e de capacitação, além de aulas fixas de teatro no Museu da Maré. As atividades incluem Pesquisa de Campo/Leitura-Escrita, Restauro de Figurino, Corpo-Movimento, Cenografia e Montagem Teatral, voltadas a 30 jovens e adultos entre 14 e 50 anos, moradores do Complexo da Maré.
A Escola Livre conta com apoio do Governo Federal, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, da Política Nacional Aldir Blanc, da Lei ISS/LAMSA, do Museu da Maré, de Especiais da Maré e do CEASM.
A encenação propõe uma experiência imersiva que dissolve o palco e dialoga com a geografia da Maré. O cenário, construído com sugestões dos intérpretes, funde tempos e revela a permanência da repressão militar, presente em diferentes períodos históricos. A obra expõe o ciclo de violência estatal que molda a vida da comunidade.
O espetáculo abre espaço para que as vozes da favela se expressem, transformando traumas de censura e massacre em um grito urgente no palco. Segundo Renata Tavares, a peça provoca o público a enfrentar a permanência da violência do poder, usando a resistência como força motriz.
Sinopse
A Maré é invadida e colocada sob comando militar durante a Copa do Mundo. Moradores enfrentam censura e medo diariamente. Em meio à guerra, o samba se torna o pulmão que mantém viva a resistência local.
Dramaturgia que nasce das dores de quem vive a realidade
Matheus Frazão, arte-educador, diretor e artista da Maré, afirma que a peça nasce de vivências reais e das dores de quem busca oportunidades diante do estigma imposto aos moradores de comunidades.
“Eu sou o Frazão, um cara que iniciou muito jovem na arte, se profissionalizou nela e enxerga no teatro um canal de comunicação muito potente. Os espetáculos do Entre sempre trazem narrativas já vividas no território, por vezes dolorosas. É sobre o que incomoda, porque ainda dói na gente. A peça deste ano retrata as violências ocorridas no período da ocupação militar de 2014 na Maré, todavia, traz uma família que se diverte, que é do samba… É a alegria confrontando a violência. Talvez ela seja a nossa melhor arma. Uma obra do cotidiano, da intimidade, dos carnavais e desesperos que é a vida na favela”.
Ficha Técnica
Idealização: Entre Lugares Maré
Texto: Matheus Frazão
Encenação/Direção Musical/Preparação Vocal: Renata Tavares
Elenco: Andryelle Lima, Angel Lua, Babi Alcântara, Bruno Martins, Carlos Emanoel, Davi Souza, Emilly Sampaio, Graziele Oliveira, Jade Cardozo, Kaôrí Amaré, Katiaa Deusa, Kevin Magala, Lady, LIMMA, Maicon Douglas, Matheus Borges, maria lucilda, Miguel Furtado, Milena Ferreira, Mirella Souza, Nega Lu, Paula Mendonça, Renena, Rodrigo Beraponti, Thayná Rodrigues, Vick Lucas, Victtor Quintanilha e Vitor Gabriel
Músico: Matheus Tavares
Cenografia: Davsun Santos, Flávio Vidaurre, Rafael Rougues
Equipe cenotécnica: Davsun Santos, Flávio Vidaurre, ítala Isis, Milena Vital e Rafael Rougues
Figurino: Jade Cardozo
Assistentes de Figurino: Katiaa Deusa, Maicon Douglas e Rodrigo Beraponti
Iluminação/Operador de luz: Lucas da Silva
Direção de Movimento/Preparação Corporal: Gabriela Luiz
Pesquisadora Autora do “Livro Militarização e Censura”: Gizele Martins
Professor Pesquisador: Tiago Ribeiro
Pesquisa de Campo e Leitura e Escrita: Natasha Corbelino
Operador de Som/Projeção: Edson Martins
Designer Gráfico: Flávio Vidaurre
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Assistente de Direção/Social Mídia: Heloiza Cintra
Fotografia: Zé Bismarck
Foto de Divulgação/Filmagem/Edição: Marco Brendon
Coordenação Administrativa e Financeira: CEASM
Assistentes de Produção: Bianca Barbosa, Heloiza Cintra e Rafael Rougues
Direção de Produção: Vanessa Greff
Serviço
Espetáculo: “Entre: Bombas, Balas, Confetes e Serpentinas”
Dias: 05, 06, 07, 12, 13 e 14 de dezembro, de sexta a domingo, às 19h30.
Endereço: Museu da Maré, Avenida Guilherme Maxwell Nº 26, Morro do Timbau, Complexo da Maré
Classificação: 12 anos.
Apresentação com intérprete de LIBRAS: 13 de dezembro.
Observação sobre acessibilidade: Sons inesperados, local com ruído, luzes intensas e luzes oscilantes que podem afetar espectadores fotossensíveis e neurodivergentes.
Foto: Zé Bismarck; Marco Brendon
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