A força espiritual e política contida nos pequenos elementos ganha o palco em uma investigação cênica que cruza saberes tradicionais da diáspora e linguagens contemporâneas.
Guiada pelos ensinamentos presentes nos pontos de encantaria das culturas afro-ameríndias, a montagem MIÚDA investiga a potência das coisas sutis que guardam mistérios e transformações profundas. A proposta central parte do entendimento de que o detalhe, frequentemente ignorado, carrega dimensões essenciais para a memória e para o corpo.
Uma é maior, outra é menor, a miúda é quem nos alumeia/ Pedrinha miudinha de Aruanda ê.
O simbolismo da miçanga e o diálogo entre linguagens
A concepção visual e física da obra adota as miçangas como tradução da imagem da pedra miúda. Elemento historicamente associado a proteção, conexão e poder em diversas culturas pelo mundo, o material opera como a matéria mineral bruta lapidada pela ação humana, pela tradição e pelo encantamento.
Em cena, dois artistas estabelecem essa travessia: uma bailarina e um músico. O trabalho, concebido e dirigido por Tamires Costa — que também assina a performance ao lado de Pablo Carvalho —, articula manifestações da diáspora africana e de povos originários do Brasil com o vocabulário da dança contemporânea, recriando conexões entre passado e tempo presente.
Serviço
- Data: 17 de setembro, às 20h
- Local: Centro Coreográfico do Rio de Janeiro (Teatro Angel Vianna)
- Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 20 (antecipado) / R$ 15 (meia-entrada)
