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Exposição ECOZONA transforma restos de montação em arte viva

Exposição ECOZONA transforma restos de montação em arte viva

Fragmentos de perucas, brilhos e tecidos que já estiveram sob os holofotes da cena drag ganham nova vida na exposição “ECOZONA”, da artista Eco Zazu. A mostra abre no dia 9 de junho, às 19h30, na Galeria Lama, em Florianópolis, propondo um encontro potente entre artes visuais, performance e experiências que nascem à margem dos espaços tradicionais.

Com entrada gratuita, a exposição reúne onze obras — entre pinturas e objetos — construídas a partir de materiais descartados das montações da própria artista e de outras(os) performers da cidade. O que antes compunha figurinos e personagens retorna ao público como arte, carregando marcas de uso, afetos e histórias que atravessam a cena drag local.

Entre memória, corpo e transformação

Em “ECOZONA”, cada elemento reaproveitado mantém vestígios de sua trajetória anterior. Tecidos, acessórios e próteses deixam de ser apenas resíduos e passam a operar como registros materiais de vivências, revelando camadas íntimas e coletivas que se entrelaçam nas obras.

A exposição materializa inquietações recorrentes no trabalho de Eco Zazu, como o medo de falhar, a pressão por corresponder a expectativas e as transformações inevitáveis ao longo do tempo. Esses temas aparecem traduzidos em formas, texturas e composições que tensionam limites entre identidade, corpo e representação.

Apresentada pela primeira vez em dezembro de 2025 por meio da Política Nacional Aldir Blanc, a mostra retorna agora com novos trabalhos produzidos nos últimos meses. As obras mais recentes aprofundam reflexões sobre desejo, mudança e as incertezas que acompanham processos de reinvenção.

Uma zona simbólica de pertencimento

O próprio título da exposição carrega múltiplos sentidos. Segundo Eco Zazu, “ECOZONA” nasce de uma cacofonia proposital com seu nome artístico, sugerindo uma versão expandida e destemida de si mesma.

“O título é uma cacofonia proposital que brinca com o meu nome, sugerindo uma versão ampliada, destemida e potencializada de mim mesma, alguém que encara seus conflitos, abraça suas contradições e se liberta da necessidade de agradar o tempo todo, mesmo que, no fim, acabe se tornando alguém que ‘ecozona’”

Mais do que um jogo de palavras, o conceito também define um território simbólico. A artista descreve “ECOZONA” como uma zona de fronteira utópica, situada entre linguagens, gêneros e personas, compartilhada por ela e por outros corpos dissidentes que habitam a cena drag e artística.

Essa ideia de espaço híbrido e acolhedor se reflete diretamente nas obras, que transitam entre diferentes formatos e referências, recusando categorizações rígidas e propondo novas formas de existência e expressão.

Galeria Lama e o diálogo com o marginal

A exposição marca a primeira individual de Eco Zazu na Galeria Lama, espaço com o qual a artista já havia colaborado anteriormente nas coletivas “Enamoradas” e “Entendidas | Entendides | Entendidos”. A parceria se fortalece agora em um momento de maior aprofundamento de sua pesquisa autoral.

O projeto também dialoga com a proposta da galeria de aproximar as artes visuais de linguagens historicamente marginalizadas ou afastadas dos circuitos expositivos tradicionais. Nesse contexto, a cena drag surge não apenas como referência estética, mas como campo de produção artística e política.

Para Eco Zazu, a exposição abre possibilidades de identificação e pertencimento para o público.

“Espero que, para além de criar uma zona utópica própria, outras pessoas se identifiquem com minhas questões e se sintam em casa”

Da obra à performance

A experiência de “ECOZONA” não se encerra nas paredes da galeria. A programação inclui uma apresentação especial de encerramento no dia 11 de julho, às 20h30, quando Eco Zazu leva para a cena, ao lado de artistas convidadas(os), as questões presentes nas obras.

A performance surge como desdobramento direto da exposição, dando corpo e movimento às reflexões visuais e ampliando o diálogo entre linguagens. É nesse encontro entre matéria, gesto e presença que a proposta da artista se expande, conectando diferentes formas de expressão em um mesmo território simbólico.

Com visitação aberta de quarta a sábado, das 18h às 00h, “ECOZONA” convida o público a atravessar essa zona de fronteira onde arte, identidade e memória se encontram de maneira visceral e transformadora.


Serviço

Exposição ECOZONA transforma restos de montação em arte viva
Foto: Divulgação
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