A exposição Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade foi prorrogada até 1º de fevereiro e reúne 100 anos de arte brasileira na CAIXA Cultural Brasília.
Em cartaz desde 21 de outubro de 2025, a mostra estava prevista para terminar em 18 de janeiro, mas segue aberta com a proposta de traçar um panorama da arte brasileira entre 1920 e 2020. Ao todo, são 79 obras de 50 artistas, em um encontro raro de acervos do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.
Pela primeira vez, obras de diferentes instituições e coleções particulares aparecem lado a lado para compor uma narrativa visual inédita sobre o país. Pinturas, esculturas, tapeçarias, fotografias, instalações e objetos conduzem o público por um século de criação artística, revelando um Brasil múltiplo, contraditório e inventivo — sempre entre o sonho e a realidade.
Encontro inédito de acervos
O ineditismo da exposição não está apenas na escala do recorte histórico, mas na maneira como os acervos se somam. O percurso coloca em diálogo obras de períodos e linguagens distintas, criando conexões diretas entre o impulso modernista dos anos 1920 e a potência expressiva da arte urbana contemporânea.
Assim, o clássico e o popular se cruzam. O ateliê encontra a rua. E nomes consolidados da história da arte brasileira convivem com produções atuais, abrindo novas leituras sobre a formação da nossa identidade visual.
Três núcleos que se conectam
Com curadoria de Denise Mattar e organização a partir da concepção artística de Rafael Dragaud, Nossos Brasis se estrutura em três núcleos temáticos. Em vez de seguir uma linha cronológica rígida, a mostra funciona como um mosaico, no qual temas e tensões reaparecem em diferentes décadas.
Em “Vozes dos Trópicos”, o Brasil surge no imaginário do paraíso exuberante — mas atravessado por conflitos entre natureza e colonização, beleza e violência, mito e crítica. O núcleo reúne artistas como Tarsila do Amaral, Burle Marx, Beatriz Milhazes, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Glauco Rodrigues, Denilson Baniwa, Ernesto Neto, Adriana Varejão, Rosana Paulino, entre outros.
“Vozes da Rua” enfatiza o Brasil popular e coletivo, onde a criação se alimenta do ritmo das festas, rituais e gestos cotidianos. Estão presentes obras de Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Djanira, Volpi, Portinari, Beatriz Milhazes, Eduardo Kobra e outros artistas que traduzem a potência estética da cultura urbana e comunitária.
Já “Vozes do Silêncio” aborda dimensões íntimas e psicológicas. Memória, espiritualidade e dor aparecem como matéria de invenção, com trabalhos de Maria Auxiliadora, Arthur Bispo do Rosário, Ismael Nery, Maria Lídia Magliani, Farnese de Andrade, Flávio Cerqueira, Vik Muniz, Nelson Leirner, entre outros.
Acessibilidade e ações educativas
Além do impacto de público, a exposição se destaca pelo formato educativo e inclusivo. Entre os recursos oferecidos estão audiodescrição, tradução em Libras, materiais táteis e visitas mediadas, além de oficinas profissionalizantes em comunidades.
Nos últimos dias em Brasília, Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade reforça o convite: revisitar — ou descobrir — um século de arte brasileira em um percurso que faz o país pulsar em cores, gestos e histórias.
A mostra é uma realização da CAIXA Cultural Brasília em parceria com a Agência Pira, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil.
Serviço
Exposição: Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade
Local: CAIXA Cultural Brasília – SBS Q. 4 Lotes 3/4 – Asa Sul, Brasília – DF, 70092-900
Galerias: Galeria Principal, Galeria Piccola I e Galeria Piccola II
Período: 21 de outubro de 2025 a 01 de fevereiro de 2026
Horários: terça a domingo, das 9h às 21h (segunda-feira fechado)
Entrada: gratuita | Classificação indicativa: livre
Acessibilidade: audiodescrição, Libras, materiais táteis e visitas mediadas
Patrocínio: CAIXA e Governo do Brasil
Foto: Divulgação


