Mostra “Olhar a Floresta, Ver a Floresta” apresenta 40 obras de 25 artistas com curadoria de Ivo Mesquita.
A floresta como ideia e experiência
A floresta funciona como lugar real e também como ideia. No Brasil, ela ultrapassa o bioma e torna-se signo e projeção. A mostra Olhar a Floresta, Ver a Floresta explora esse deslocamento entre experiência sensível e imagem construída. A exposição reúne cerca de 40 obras de 25 artistas, atravessando o século XIX até o presente.
A curadoria de Ivo Mesquita organiza o percurso em três movimentos contínuos. O primeiro aborda os viajantes-naturalistas europeus, que registraram a floresta como território sublime e exuberante. Obras de Facchinetti, Vinet e Hagedorn revelam essa visão ligada às expedições científicas.
Esse segmento inclui também artistas contemporâneos como Sebastião Salgado e Lucas Arruda, que dialogam com essa tradição imagética. A floresta aparece registrada com rigor técnico, mas também como início do processo de domesticação através da representação.
A natureza transformada em paisagem produtiva
O segundo eixo apresenta o momento em que a natureza monumental converte-se em paisagem produtiva. Surgem fazendas, queimadas, extração, urbanizações, hortos e jardins. A floresta é incorporada ao cotidiano. A domesticação se conclui quando a mata reduz-se ao ambiente doméstico.
Esse bloco reúne obras de Grimm, Visconti, Bakun, Portinari, Pedro Paulo Leal, Helio Melo e Ozias. As fotografias de Augusto Malta, Lalo de Almeida e Luís Braga reforçam essa transformação da paisagem. A floresta torna-se ornamento, afastando-se de sua dimensão original.
A floresta como campo simbólico
No núcleo contemporâneo, a floresta é repensada e não apenas registrada. Esculturas, pinturas, fotografias e instalação inédita de Ana Luísa Dias Batista tensionam o imaginário natural. As obras de Frans Krajcberg, Marilá Dardot, Elaine Pessoa, Leda Catunda, Rochele Costi e outros artistas ampliam esse debate.
Os trabalhos abordam tecnologias, memória, devastação e ficção. As imagens geradas por inteligência artificial convivem com fotografias de queimadas. O verde deixa de ser cenário e torna-se campo político. A exposição, contudo, evita narrativa ambientalista explícita e prioriza a observação.
Um convite à contemplação
A exposição não formula diagnósticos. Para o curador, ela propõe um intervalo de silêncio em tempos acelerados. O visitante é convidado a suspender urgências e refletir sobre o ato de olhar. Observar a floresta, segundo Mesquita, significa reaprender a ver o mundo.
Destaques da mostra
A mostra apresenta instalação inédita de Ana Luísa Dias Batista, criada especialmente para a exposição. Exibe pinturas do século XIX de Vinet, Hagedorn, Facchinetti e Grimm, além de obras modernistas de Portinari, Paulo Pedro Leal e Miguel Bakun. Fotografias de Sebastião Salgado dialogam com registros de queimadas de Lalo de Almeida.
Artistas participantes
Alejandro Lloret; Ana Luísa Dias Batista; Augusto Malta; Detanico & Lain; Elaine Pessoa; Eliseu Visconti; Fernando Limberger; Frans Krajcberg; Friedrich Hagedorn; Gabriela Albergaria; Georg Grimm; Helio Melo; Henry Nicolas Vinet; Lalo de Almeida; Leda Catunda; Lucas Arruda; Luís Braga; Marilá Dardot; Miguel Bakun; Nicola Facchinetti; Odoteres Ricardo de Ozias; Paulo Pedro Leal; Rochele Costi; Sebastião Salgado.
Serviço
Exposição: Olhar a Floresta, Ver a Floresta
Curadoria: Ivo Mesquita
Abertura: 18 de novembro, terça-feira, das 18h às 21h
Permanência: Até 07 de fevereiro de 2026
Horários: terça a sexta das 11h às 19h, sábado das 11h às 17h
Danielian SP
Local: Rua Estados Unidos, 2114 — Jardim Paulista, São Paulo
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