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Exposições gratuitas na Casa Firjan celebram cachaça e tempo

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Duas exposições gratuitas ocupam a Casa Firjan e colocam em diálogo a cachaça como patrimônio e a fotografia como espelho do tempo, da ancestralidade e dos territórios étnico-raciais.

O Brasil na Garrafa: cachaça como identidade e indústria

Em cartaz até 4 de outubro, a exposição “O Brasil na Garrafa: identidade, cultura e tecnologia” percorre a trajetória do destilado mais antigo das Américas, de bebida marginalizada a produto premium reconhecido internacionalmente. Realizada pela Casa Firjan e pela Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro (Apacerj), a mostra celebra o Rio de Janeiro como “território da cachaça de qualidade” e valoriza saberes produtivos, tradição e relevância nacional.

“Nosso enfoque ao desenvolver a narrativa expográfica foi provocar uma visão da cachaça que transcende a ideia de bebida alcoólica, permitindo a qualquer visitante curioso saber sobre o Brasil, o Rio e, também, sobre como as coisas são produzidas”, conta Maria Isabel Oschery, da Casa Firjan.

A mostra se divide em duas seções. A primeira explora as dimensões simbólicas da cachaça em sete núcleos: gastronomia e coquetelaria, literatura e música, medicina popular, rituais religiosos e festas, rótulos e cultura visual, tendências atuais do mercado premium e protagonismo feminino na indústria. Esta parte inclui obras inéditas de Bea Machado, Luisa Macedo e Diana Sandes, além de depoimentos em vídeo de Doya Moreira Costa, Luiz Antonio Simas, Swanne Almeida e das produtoras Katia Espírito Santo, Luisa Konder e Maria Izabel Couto.

A segunda seção apresenta a dimensão técnica e industrial, com etapas de produção nos alambiques, glossário interativo e módulo sensorial que propõe uma imersão além do destilado. O recorte reforça o papel do estado como polo de excelência e consolida a cachaça como patrimônio histórico, material e imaterial.

Arqueiros na espiral do tempo: fotografia sobre passado, presente e futuro

Até 20 de setembro, a Casa Firjan apresenta “Arqueiros na espiral do tempo – fotografia brasileira contemporânea”, mostra coletiva com 39 fotografias inéditas de 11 artistas de todo o estado. A curadoria de Marcia Mello organiza interpretações distintas sobre a passagem do tempo, articulando cronologia ocidental e tempo mítico, sagrado e cíclico.

Os fotógrafos Alessandro Fracta, Bruno Marchetti, Cristina Froment, Daniel Oliveria, Francisco Valdean, Gabriella Silva, João MM, Rafa Chlum, Renata Xavier, Thaís Valencio e Thanis Parajara desenvolveram o conceito durante uma semana de imersão na Casa Firjan. As imagens abordam ancestralidade, paisagens que fenecem, pessoas que envelhecem, territórios étnico-raciais e símbolos como São Jorge, protetor dos arqueiros.

“Na cultura ocidental, predomina o entendimento do tempo cronológico e histórico, medido de forma precisa em segundos, minutos, horas. A vida se desdobra como uma seta direcionada apenas para o futuro. Já no tempo mítico, valoriza-se o sagrado”, explica a curadora Marcia Mello.

Entre as obras, destaque para “Presente Distópico”, de Renata Xavier, e a série Altares, Festas e Fé, de Bea Machado, que, embora associada à outra mostra, dialoga com a espiritualidade presente nas narrativas visuais sobre tempo e devoção. A exposição nasce de um desafio do Mosaico Rio, edital de Cultura promovido pela Firjan SESI, e converte a fotografia em dispositivo de reflexão sobre memória e transformação.

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