Cerca de 70 obras de Fernanda Leme ocupam o Centro Cultural Candido Mendes a partir de 5 de novembro, em uma exposição que transforma recortes, espelhos e memórias em reflexões sobre finitude, imagem e transformação.
A mostra “Quando aparecer um rio, atravesse-o” será inaugurada na Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Com curadoria de Denise Araripe, a exposição reúne trabalhos inéditos, pinturas e obras que serão completadas com a participação do público.
“A exposição propõe uma reflexão sobre a finitude e sobre como a consciência de nossa impermanência pode nos levar a repensar a própria vida.”

A imagem que se desfaz
No centro da pesquisa está um conjunto inédito, desenvolvido pela artista neste ano especialmente para a mostra. Fernanda Leme recorta suas próprias pinturas em tiras horizontais de espessuras variadas e as remonta sobre posters de madeira, desconstruindo a imagem original.
O resultado são composições abstratas que preservam fragmentos figurativos. Entre eles, aparecem barcos, elementos que a curadora associa à ideia de deslocamento e travessia.
“Recorto a imagem em tiras de diferentes espessuras e as colo de maneira desencontrada em cima de um poster de madeira. Uso a própria obra pictórica e a transformo em outra obra”, explica Fernanda Leme.
A artista relaciona o processo ao conceito de pós-produção, discutido por Nicolas Bourriaud, e aos estudos de Rosalind Krauss e Yve-Alain Bois sobre a teoria do informe, que questiona noções tradicionais de forma.

Rostos, tramas e espelhos
A exposição também apresenta obras da série “Estilhaços”, iniciada no ano passado. Nesses trabalhos, retratos são atravessados por camadas gráficas e tramas geométricas, como se a imagem fosse um espelho estilhaçado.
“Rostos e figuras são atravessados por uma malha geométrica, como se a imagem estivesse estilhaçada. A figura permanece, mas sua unidade é colocada em questão”, observa Denise Araripe.
Outro núcleo reúne 60 obras da série “Cabeças”, produzidas desde 2014. Em formato de 30X40cm, as pinturas fazem analogia às fotos 3X4 e retratam o rosto da artista em diferentes fases da vida.
Para esta exposição, em vez de novos rostos, Fernanda Leme inclui quatro espelhos no tamanho das pinturas. O público é convidado a ver o próprio reflexo, em um gesto que discute a efemeridade das selfies e a rapidez com que as imagens circulam e desaparecem.

A travessia como resposta
O título da mostra nasce de uma leitura sobre o rio como interrupção e também como passagem. Para a curadora, atravessar não significa permanecer intacto, mas aceitar a transformação como parte do caminho.
Em tratamento contra um câncer de mama, após perder o pai, a mãe e o irmão para a doença, Fernanda Leme constrói pinturas alegres e coloridas. Durante a fase mais intensa do tratamento, criou a série “Morfemas”, na qual utiliza os próprios fios de cabelo para compor desenhos geométricos.
Essas peças dialogam com as tramas gráficas e com os recortes presentes nas demais séries da exposição.

Serviço
- Exposição: Fernanda Leme – Quando aparecer um rio, atravesse-o
- Abertura: 5 de novembro de 2026, às 17h
- Período: até 28 de novembro de 2026
- Curadoria: Denise Araripe
- Local: Centro Cultural Candido Mendes – Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida
- Endereço: Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema – RJ
- Telefone: (21) 2267.7295
- Visitação: de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h; sábados, das 13h às 17h
- Entrada gratuita



