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Festival em Salvador revisita legado do Teatro Experimental do Negro

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O legado de Abdias do Nascimento volta ao centro da cena ao inspirar uma semana inteira de teatro, pensamento e criação negra em Salvador.

Mais do que uma mostra, a 8ª edição do Melanina Acentuada Festival transforma Salvador em território de encontro entre passado e presente da dramaturgia negra. Entre 28 de julho e 3 de agosto, teatros e espaços culturais recebem espetáculos, debates e ações formativas que dialogam diretamente com os 80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado por Abdias do Nascimento.

Ao longo de sete dias, o festival reúne montagens do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, ampliando a circulação de obras e artistas. Estão na programação trabalhos como “MACACOS”, de Clayton Nascimento, “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação, além das estreias de “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira” e “Black Machine”.

Mais do que homenagem, esta edição investiga como o Teatro Experimental do Negro segue vivo nas práticas artísticas contemporâneas.

Um festival que cruza tempos e territórios

Idealizado por Aldri Anunciação, o Melanina nasceu em 2012 com foco na visibilidade de artistas e pesquisadores negros. Nesta edição, o festival amplia o escopo ao incorporar também narrativas afroindígenas, presentes tanto na música da banda Cabokaji quanto no monólogo “TYBYRA”, protagonizado por Juão Nyn.

A programação inclui ainda stand-up comedy, ateliês de ideias, entrevistas públicas, leituras dramáticas e lançamentos de livros de autores como Leda Maria Martins, Guilherme Diniz, Elisa Larkin e Jessé Oliveira. A proposta é conectar diferentes gerações em torno de processos criativos e reflexão crítica.

Salvador como palco expandido

As atividades se espalham por espaços como Goethe-Institut Salvador, Teatro Sesc Casa do Comércio, Teatro Jorge Amado, Teatro Martim Gonçalves e SESI Rio Vermelho. A ocupação cria um circuito que aproxima público, artistas e pesquisadores em diferentes regiões da cidade.

Ao propor intercâmbio entre arte e pensamento, o festival reforça a continuidade de um projeto iniciado em 1944 pelo TEN: tensionar estruturas, reivindicar protagonismo e ampliar o repertório cultural brasileiro a partir de perspectivas negras.

Programação reúne 23 atividades

O festival apresenta 23 ações culturais, entre espetáculos, oficinas, debates e lançamentos. A abertura acontece com “TYBYRA”, seguido por pocket show da Cabokaji. Nos dias seguintes, a agenda inclui apresentações de “MACACOS”, “Namíbia, Não!”, “Black Machine” e o espetáculo “Abdias do Nascimento”, além de encontros teóricos e formativos.

Os ingressos têm valores simbólicos de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), com parte da lotação destinada à acessibilidade e distribuição gratuita para estudantes da rede estadual. A retirada ocorre via Sympla.

Serviço


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