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Flifio estreia no Rio unindo literatura, saúde e luta antirracista

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A Flifio, primeira Festa Literária Internacional da Fiocruz, transforma o campus Manguinhos em um espaço de encontro entre literatura, ciência e transformação social. Realizado nos dias 10, 11 e 12 de junho, no Rio de Janeiro, o evento gratuito nasce com uma proposta direta: discutir como saúde e ciência podem atuar no enfrentamento ao racismo, aproximando o conhecimento acadêmico das vivências das periferias.

A iniciativa, desenvolvida em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, reúne uma programação diversa que inclui feira de livros, mesas literárias, rodas de leitura e apresentações artísticas. A ideia é criar um ambiente de troca entre diferentes saberes, onde pesquisadores, artistas, estudantes e comunidades compartilham experiências e constroem novas perspectivas.

Literatura como ferramenta de transformação

Um dos pilares da Flifio é o incentivo direto à leitura entre jovens de escolas públicas situadas em territórios onde a Fiocruz mantém atuação social. Entre eles estão Maré, Manguinhos, Jacaré e Complexo do Alemão, regiões marcadas por desafios históricos de acesso à cultura.

Como ação concreta, cerca de 3 mil estudantes receberão vales-livro de R$ 250 para aquisição de obras durante a feira. A iniciativa busca não apenas facilitar o acesso imediato aos livros, mas também estimular uma relação contínua com a leitura.

O projeto prevê ainda uma etapa posterior de pesquisa-ação com escolas e professores, incentivando práticas pedagógicas que mantenham o vínculo dos estudantes com o universo literário. A proposta amplia o impacto do evento para além dos três dias de programação.

Ao tratar o acesso ao livro como política de cidadania, a Flifio reposiciona a literatura como ferramenta ativa na formação crítica e na ampliação de oportunidades.

Ciência, saúde e enfrentamento ao racismo

A curadoria do evento parte do entendimento de que o racismo influencia diretamente desigualdades no acesso à saúde, à educação e à cultura. Nesse contexto, a Flifio propõe um diálogo que ultrapassa o campo literário e se insere em uma agenda mais ampla de justiça social.

Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a realização da festa reforça a vocação da instituição como espaço de integração entre ciência e cultura. O campus já abriga regularmente atividades artísticas, consolidando-se como um polo de produção cultural no Rio.

A Fiocruz promove regularmente, ao longo de todos os anos, atividades artísticas e culturais como peças de teatro, projeção de filmes, lançamento de livros e exposições variadas, entre outras apresentações e iniciativas. Cultura, saúde e ciência andam de mãos dadas no campus. A Flifio é mais um evento cultural que sediamos e esperamos que se torne anual, contribuindo para disseminar os livros nas comunidades do nosso entorno

O evento também aposta no protagonismo de jovens de territórios periféricos, valorizando suas experiências e reconhecendo esses espaços como produtores de conhecimento e cultura.

Projeto contínuo e impacto ampliado

A Flifio faz parte de uma agenda mais ampla e contínua. O projeto teve início em dezembro de 2025, com o seminário Cidades Literárias, e vem se desdobrando em diferentes territórios e iniciativas ao longo do tempo.

Entre as ações já realizadas estão a Semana Literária do Fórum de Itaboraí, em Petrópolis, e os encontros estaduais da Periferia Brasileira de Letras em Minas Gerais e no Distrito Federal. A edição de junho consolida esse percurso, reunindo experiências acumuladas em um evento de maior escala.

Segundo o coordenador da área de Cultura na Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, Felipe Eugênio, a proposta atua diretamente sobre desigualdades estruturais que impactam o acesso à leitura e aos bens culturais.

A Flifio é mais do que um evento cultural. É uma plataforma de intervenção social que conecta ciência, cultura e participação cidadã, atuando frente aos desafios do acesso desigual à leitura e aos bens culturais. Entendemos que isso impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida das populações, especialmente nos territórios periféricos

Ao articular literatura, ciência e educação, o projeto busca fortalecer vínculos comunitários, ampliar direitos e estimular a formação de sujeitos críticos.

Parcerias e realização

A realização da Flifio envolve uma ampla rede de instituições. O evento é promovido pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, com coordenação executiva da Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio).

Também participam da organização o setor de Eventos da Fiocruz, a Associação dos Servidores da Fiocruz (Asfoc) e o Museu da Vida Fiocruz. Entre os apoiadores estão o Ministério Público do Trabalho e a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, além de IBMR, Nova Rio, SBM Offshore e Rock IT, via Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS.


Serviço

Flifio estreia no Rio unindo literatura, saúde e luta antirracista
Foto: Divulgação
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