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Fotografia coletiva na Casa Firjan transforma o tempo em narrativa visual

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O tempo deixa de ser medida e vira experiência sensível em uma mostra que reúne diferentes olhares sobre memória, futuro e ancestralidade na Casa Firjan.

A exposição “Arqueiros na espiral do tempo – fotografia brasileira contemporânea” ocupa a Casa Firjan até 20/9 com 39 obras inéditas produzidas por 11 artistas do estado do Rio de Janeiro. A proposta surgiu a partir de um desafio do edital Mosaico Rio, que convidou os fotógrafos a interpretarem o tempo em suas múltiplas dimensões.

Os trabalhos atravessam passado, presente e futuro, trazendo temas como envelhecimento, ancestralidade, territórios étnico-raciais e símbolos culturais. A construção do conceito foi coletiva, durante uma imersão artística conduzida pela curadora Marcia Mello.

“Na cultura ocidental, o tempo é visto como linear. Já no tempo mítico, ele se move em ciclos, como uma roda que gira.”

Quando o tempo encontra identidade e memória

Entre os destaques está o trabalho de Thanis Parajara, artista de Inhaúma com pesquisa ligada à ancestralidade indígena. Sua obra “Arqueiro do Tempo” foi registrada durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília, e reflete a luta e resistência dos povos originários.

A fotógrafa, que atua desde 2018, já foi premiada pela Funarte Marc Ferrez de Fotografia em 2024. Sua produção parte do documental para construir narrativas visuais que conectam território, identidade e permanência cultural.

Outro recorte sensível aparece no trabalho de Daniel Oliveira, morador do Méier. Em “Retratos de Espera”, ele revisita a própria infância em um orfanato para refletir sobre o tempo na experiência da adoção.

“As crianças esperavam sem nenhuma informação sobre o tempo em que seriam adotadas”, relembra o artista, que atua como fotógrafo e videomaker há seis anos.

Um edital que articula produção e circulação

A exposição integra as ações do Mosaico Rio, edital de cultura da Firjan SESI que selecionou 90 projetos em diversas linguagens artísticas. Ao todo, foram investidos R$ 3 milhões e 298 mil em iniciativas de todo o estado.

Na categoria de fotografia, R$ 88 mil foram destinados à produção das obras e à realização da imersão criativa. Segundo Antenor Oliveira, gerente de Cultura e Arte da Firjan SESI, o programa busca fortalecer a economia criativa e ampliar a visibilidade de artistas locais.

A coletiva reúne Alessandro Fracta, Bruno Marchetti, Cristina Froment, Daniel Oliveira, Francisco Valdean, Gabriella Silva, João MM, Rafa Chlum, Renata Xavier, Thaís Valencio e Thanis Parajara.

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