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Fotografia como matéria: Rogério Medeiros expõe em SP

Com 30 obras de mais de duas décadas, “Cada hora faz sua sombra” revela como Rogério Medeiros reinventa a fotografia como linguagem plástica.

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Até o dia 25 de abril, a Galeria Estúdio Reverso, em São Paulo, apresenta “Cada hora faz sua sombra”, exposição individual do artista visual Rogério Medeiros com curadoria de Catalina Bergues. Com cerca de trinta obras produzidas entre 2003 e o presente, a mostra reúne séries de diferentes momentos da trajetória do artista e evidencia uma investigação contínua sobre luz, tempo e linguagem fotográfica.

Fotografia além do registro

A exposição parte de uma premissa clara: a fotografia como matéria plástica, não como simples captura do real. Medeiros tensiona linguagens artísticas e transforma imagens em construções visuais autônomas. “Sou fotógrafo desde sempre”, afirma o artista, que iniciou sua produção autoral em 2003 tendo a natureza como principal fonte de estímulos.

Com o tempo, suas referências migraram dos fotógrafos e pintores clássicos para os expressionistas abstratos do pós-guerra, especialmente os da Escola de Nova York. Essa mudança marcou o desenvolvimento de uma linguagem abstrata aplicada à fotografia, característica central de seu trabalho.

Colagem, gesto e desconstrução

Após a publicação do livro Ritmo e Gesto (2012), Medeiros passou a incorporar o gesto manual ao processo criativo, desenvolvendo colagens fotográficas que recombinando paisagens de forma livre. O resultado são imagens únicas e imaginárias criadas a partir de registros reais, em uma abordagem que questiona o próprio signo da fotografia.

A investigação da luz o levou a fotografar o céu e sua paleta variada de cores. “A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu. Passei a me interessar por uma simplificação visual, afinal estava lidando com a manifestação e o registro da luz pura e única, conforme hora, latitude e as condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural. Daí surgiram reflexões sobre a influência do tempo e das vivências em questões da psique e dos sentimentos”, explica Medeiros.

Do amanhecer à noite: a organização espacial

A exposição se organiza cromaticamente, seguindo a passagem do tempo ao longo do dia. Começa no branco, passa pelo azul claro, avança pelos laranjas e violetas, até chegar ao azul escuro e ao preto. A primeira sala recebe o visitante com uma obra branca, síntese da produção atual de Medeiros.

A curadora Catalina Bergues explica a proposta: “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás, e é justamente isso que esta nova exposição faz: mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.”

Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele se vale da imagem exterior, para olhar para o dentro.

Materiais e técnica

Na constituição de sua poética, Medeiros utiliza papéis de algodão, arroz e perolado para impressões com pigmentos minerais. Cartões, placas, cola, fitas adesivas livres de ácido e pasta de papel integram o processo de modelagem das superfícies. A materialidade é parte fundamental do trabalho.

Trajetória consolidada

Rogério Medeiros possui obras em acervos de prestígio, incluindo a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo (Coleção Pirelli), o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o MAC-RS e o Itamaraty, no Consulado Geral do Brasil em Paris. Entre suas individuais anteriores, destacam-se passagens pela Pinacoteca do Estado de São Paulo (2003) e pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (2006 e 2016).

A Galeria Estúdio Reverso foi fundada em 2025 pelo publicitário Robson Ciaramicoli e tem como foco a fotografia expandida, explorando suas intersecções com outras práticas artísticas.


Serviço

Fotografia como matéria: Rogério Medeiros expõe em SP
Foto: Divulgação
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