A Funarj é a única fundação entre 62 instituições de 11 estados listadas na nova cartilha do Programa de Museus Antirracistas, que reúne diretrizes para equidade racial.
A Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) passa a integrar oficialmente a cartilha do Programa de Museus Antirracistas, publicação lançada pelo Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN – Museu Memorial), criador da iniciativa. O documento reúne 62 instituições de onze estados e posiciona a Funarj como a única fundação em um grupo formado por museus, centros culturais, secretarias, institutos, laboratórios e coletivos.
Mais do que um reconhecimento simbólico, a inclusão na cartilha sinaliza um compromisso estrutural com práticas museais voltadas à equidade racial — algo que, no campo público, ainda é exceção, não regra.
O que propõe o programa
O IPN apresenta o programa como uma iniciativa que busca promover práticas museais comprometidas com a equidade racial, o reconhecimento das histórias afro-brasileiras e a valorização de narrativas historicamente silenciadas. A metodologia se organiza em 19 diretrizes distribuídas em três eixos centrais.
- Gestão e inclusão
- Curadoria e pesquisa
- Educação e articulação
A cartilha vai além das diretrizes. Ela traz orientações práticas debatidas em seminários prévios, recomendações de outros manuais e referências conceituais para ações antirracistas, além de um panorama das principais legislações que sustentam o acesso e a difusão das manifestações da cultura nacional.
Seis equipamentos, uma só diretriz
A participação da Funarj não se limita a uma adesão institucional genérica. Ela engloba seis equipamentos culturais diretamente sob sua gestão, cada um com identidade e acervo próprios.
- Museu Antonio Parreiras
- Museu do Ingá
- Museu Carmen Miranda
- Casa de Oliveira Vianna
- Casa da Marquesa de Santos
- Casa de Euclides da Cunha
A adesão implica incorporar as diretrizes do programa não apenas nas narrativas expositivas, mas também nas práticas de gestão, na formação de equipes e nas ações institucionais de cada um desses espaços.
A adesão dos museus da Funarj ao Programa de Museus Antirracistas representa um avanço institucional no fortalecimento de práticas alinhadas à equidade e à diversidade no campo museal. Trata-se de uma iniciativa que contribui para a qualificação da gestão, da formação das equipes e das ações culturais, reafirmando o papel dos museus públicos como espaços de diálogo, memória e responsabilidade social.
Wallace Almeida, coordenador de Museus da Funarj
A declaração de Wallace Almeida resume bem o que está em jogo: museus públicos têm responsabilidade social que vai além da preservação de acervos. Incorporar a pauta antirracista à gestão é reconhecer que o silêncio também é uma escolha — e que há outro caminho possível.
Serviço
- Iniciativa: Programa de Museus Antirracistas
- Realizador: Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN – Museu Memorial)
- Instituição participante: Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj)
- Equipamentos contemplados: Museu Antonio Parreiras, Museu do Ingá, Museu Carmen Miranda, Casa de Oliveira Vianna, Casa da Marquesa de Santos e Casa de Euclides da Cunha
- Total de instituições aderentes: 62, em 11 estados brasileiros

