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Gafieira ganha data oficial e vira celebração no Rio Scenarium

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A gafieira entra oficialmente no calendário do Rio e ganha sua primeira celebração pública com baile, música e memória viva em um dos palcos mais simbólicos da cidade.

O reconhecimento chegou com a Lei nº 9.411/2026, que institui o Dia da Gafieira em 17 de julho. Para marcar a conquista, o Rio Scenarium realiza, no dia 22 de julho, uma edição especial do projeto Gafieira Rio Antigo, reunindo música ao vivo, dança de salão e homenagens a personagens fundamentais dessa tradição.

Mais do que uma data, o reconhecimento consolida uma manifestação cultural construída coletivamente ao longo de gerações.

A programação começa às 19h, com aula aberta de dança de salão, convidando o público a ocupar a pista desde cedo. Às 20h, o grupo Gafieirando, dirigido por Daniela Spielmann e Silvério Pontes, sobe ao palco com participação da cantora Alana Moraes. O repertório percorre samba, choro, maxixe e baião, conectando diferentes matrizes da música brasileira ao ambiente das antigas gafieiras.

Uma pergunta que virou lei

A criação da data começou de forma simples. Em uma conversa, Joel Celestino dos Santos questionou Aglaise Silva e Souza sobre a inexistência de um dia dedicado à gafieira. A provocação levou à pesquisa conduzida por Daniela Spielmann, que consultou o antropólogo Felipe Berocan, autor do livro Baile de Gafieira.

O levantamento confirmou a ausência de reconhecimento oficial, apesar da relevância histórica e social da prática. A sugestão do dia 17 de julho surgiu a partir da inauguração da tradicional Gafieira Elite, em 1930. A proposta foi formalizada por Aglaise e levada ao vereador Rafael Aloísio Freitas, que conduziu a tramitação até a aprovação da lei.

O palco carrega a memória

A escolha do Palco Dolores reforça o caráter simbólico da celebração. O endereço abrigou, há cerca de 70 anos, o clube de dança Humaitá, frequentado por marinheiros e figuras da boemia carioca. A memória do espaço dialoga diretamente com a história da gafieira na cidade.

A iniciativa também se conecta à pesquisa de doutorado de Daniela Spielmann na UNIRIO, dedicada às gafieiras cariocas e à relação entre música e dança como formas de preservação cultural. O resultado é um evento que articula investigação acadêmica, prática artística e celebração popular.

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