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Geni Núñez discute “reflorestamento do imaginário” na Casa Museu Eva Klabin

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Ao conectar monoculturas do pensamento à floresta como imagem de abundância, Geni Núñez leva à Casa Museu Eva Klabin uma palestra que cruza afetos, espiritualidade e território para reimaginar a existência.

Neste sábado, a escritora, ativista e pensadora indígena Geni Núñez chega à Casa Museu Eva Klabin com a palestra gratuita “Reflorestamento do imaginário”, marcada para o dia 15 de agosto, às 16h. A atividade integra a programação da exposição “Nossa América” e se inspira no pensamento de Ailton Krenak para propor uma reflexão sobre monoculturas do pensamento, floresta e outras formas de imaginar a vida em comum. Os ingressos serão distribuídos pela equipe da instituição uma hora antes do início do encontro.

Autora de “Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar” e “Felizes por enquanto”, Geni Núñez parte da ideia de “monoculturas do pensamento”, formulada por Ailton Krenak, para aproximar monocultura da terra, monogamia nas relações afetivas e sexuais e monoteísmo. Ao colocar lado a lado esses campos, a palestra busca tensionar modos únicos de organizar o pensamento, os afetos e a vida cotidiana.

Em “Reflorestamento do imaginário”, a floresta aparece como imagem de abundância e diversidade, contraposta à lógica restritiva das monoculturas.

A atividade faz parte das ativações da exposição “Nossa América”, em cartaz na Casa Museu Eva Klabin até 6 de setembro, e compõe as celebrações pelos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin. Com curadoria de Camilla Rocha Campos e Claudia Jaguaribe, a mostra parte do acervo de arte andina da instituição para propor um olhar sobre produções visuais latino-americanas que atravessam objetos, vegetações, animais, espíritos e paisagens do continente ao longo de séculos.

Em vez de tratar imagens, cerâmicas, grafismos e símbolos como vestígios de um passado distante, “Nossa América” os apresenta como presenças ativas, capazes de sustentar leituras sobre história, território e relações entre humanos, natureza e espiritualidade. Nesse contexto, a palestra de Geni Núñez se insere como um desdobramento crítico, acionando o repertório indígena contemporâneo para ampliar as leituras da exposição.

Monocultura, floresta e afetos

Ativista indígena Guarani, escritora, psicóloga e influente pensadora das relações, Geni Núñez atua com questões étnico-raciais brasileiras, com destaque para os debates indígenas. Em “Reflorestamento do imaginário”, ela retoma reflexões de sua trajetória acadêmica e intelectual para questionar a lógica da monocultura, compreendida como antagônica à floresta. A floresta, nesse quadro, aparece como imagem de abundância e diversidade, capaz de acolher diferentes formas de existência, pensamento e vínculo.

A discussão parte do ensaio “Diante dos negacionismos”, publicado pela autora em 2021 na revista “ClimaCom”. A partir dessa base, a palestra também aborda os binarismos e propõe uma leitura crítica sobre modos únicos de organizar o pensamento, os afetos e a própria vida, abrindo espaço para imaginar arranjos plurais de convivência, crença e cuidado.

Mestre em Psicologia Social, doutora pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC e pós-doutora pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, Geni Núñez foi membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia e integra a Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos/as. Sua trajetória articula pesquisa acadêmica, atuação política e produção de pensamento sobre relações, raça e gênero.

Nossa América e temporalidade ch’ixi

A programação de agosto também marca as celebrações pelos 31 anos da Casa Museu Eva Klabin, aproximando o aniversário da instituição das reflexões propostas por “Nossa América”. Orientada pela noção de temporalidade ch’ixi, formulada pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, a exposição sugere uma experiência em que o ancestral e o contemporâneo não se sucedem, mas coexistem em tensão.

Nesse ambiente em que diferentes tempos se sobrepõem, as palestras funcionam como continuidade da investigação, aproximando pensamento indígena, memória material, território e criação contemporânea. Cada encontro amplia as possibilidades de leitura da mostra, convidando o público a percorrer o acervo como campo vivo, atravessado por fricções entre passado, presente e futuro.

Celebrações de 31 anos

Além da palestra com Geni Núñez, a Casa Museu Eva Klabin promove, no dia 22 de agosto, uma tarde de atividades gratuitas em celebração aos 31 anos da instituição. A programação começa às 14h, com distribuição de pipoca na entrada da Casa, e segue com oficinas e conversa de curadoria no auditório, encerrando com um coquetel às 19h.

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