A soprano do Theatro Municipal leva ao Acaso Cultural um espetáculo íntimo e revelador sobre a maior compositora do Brasil do século XIX.
Noventa anos após sua morte, a música de Chiquinha Gonzaga ainda provoca, emociona e inspira. É com essa certeza que a soprano Georgia Szpílman, integrante do coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apresenta “Um Encontro com Chiquinha Gonzaga” no mês em que o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher.
O espetáculo acontece no dia 20 de março, sexta-feira, às 20h, no Acaso Cultural, novo espaço cultural de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Com duração de 50 minutos, a apresentação combina recital lírico e narrativa histórica em formato intimista, conduzindo o público pelos momentos marcantes da trajetória da compositora.
Música, história e cumplicidade
Ao longo de uma hora, Georgia Szpílman interpreta clássicos do repertório de Chiquinha — como Abre-Alas, Corta Jaca, Lua Branca e Flor Amorosa — ao lado do pianista Maria Luisa Lundberg e do clarinetista Moisés Santos, 1º clarinete da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal. Entre as canções, comentários contextualizados mergulham o público na sociedade conservadora do século XIX e nas ousadias que tornaram Chiquinha uma pioneira.
O projeto tem raízes profundas. Há mais de uma década, Georgia se deparou com o livro Chiquinha Gonzaga: Uma história de vida, da escritora e biógrafa Edinha Diniz. A leitura abriu portas — e conversas. “Curiosa, procurei a biógrafa, que me revelou alguns fatos que não puderam entrar no livro, e que dependendo do local onde faça meu concerto eu falo deles de uma forma sutil”, conta a soprano.
Confesso que em muitos momentos busquei pensar como ela. E em meu trabalho procuro ousar, rompendo com padrões, e não cedendo às pressões do status quo. A cada concerto nestes 10 anos é como se ela estivesse viva. E vejo no olhar do público uma curiosidade sobre sua vida, quando conto suas histórias e uma certa cumplicidade. Já se foram 90 anos da sua morte, mas sua música está aí viva e ainda provocando. — Georgia Szpílman, soprano
Pioneira que rompeu padrões
Chiquinha Gonzaga (1847–1935) foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil e uma das compositoras mais prolíficas da história nacional, com mais de 2.000 obras. Além de enfrentar o preconceito de gênero e racial, abriu mão de um casamento imposto para viver sua arte com liberdade — uma escolha radical para os padrões do século XIX.
Para Georgia Szpílman, ela representa muito mais do que a música. “Chiquinha é resistência e a prova da força feminina”, afirma a soprano, que ao longo de dez anos de projeto viu o repertório ganhar novos significados a cada apresentação.
Repertório completo
Abre-Alas, Anita, Machuca, Corte na Roça, Mulatinha, Meditação, A Feijoada Brasileira, Não Insista Rapariga, Lua Branca, Corta Jaca, Água da Fonte do Vintém, Tango Brasileiro para Piano, Beijo, Atraente, Flor Amorosa e Valsa do Amor.
Serviço
Um Encontro com Chiquinha Gonzaga
Com Georgia Szpílman (soprano), Maria Luísa Lundberg (piano) e Moisés Santos (clarinete)
Data: 20 de março de 2026 (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Acaso Cultural — Rua Vicente de Sousa, nº 16, Botafogo, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 60 a R$ 120 — bileto.sympla.com.br/event/115758/d/363271
Classificação: Livre
Duração: 50 minutos
Foto: Arthur Moura



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