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Glicério do Rosário leva solos premiados ao Teatro Feluma em novembro

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Com mais de três décadas de trajetória artística na cena mineira, o ator, dramaturgo e diretor Glicério do Rosário apresenta duas produções em formato solo da Cia P’atuá em Belo Horizonte, reunindo reflexões sobre paternidade contemporânea e urgências socioambientais.

Atualmente no ar como Enéas na novela Quem Ama Cuida, da TV Globo, o artista Glicério do Rosário ocupa o Teatro Feluma durante o mês de novembro com dois trabalhos de seu repertório. As apresentações ocorrem aos domingos, reunindo as montagens PAI, no dia 08 de novembro, e a obra premiada São Francisco de Assis à Foz, marcada para o dia 22 de novembro.

Sinto em PAI estar falando muito de mim, num exercício para universalizar e fazer mais pessoas se reconhecerem.

Glicério do Rosário leva solos premiados ao Teatro Feluma em novembro
Foto: Guto Muniz / Divulgação

Questionamentos sobre o afeto e a masculinidade no solo PAI

Abrindo a programação, o monólogo PAI investiga a urgência do afeto de cuidar na masculinidade contemporânea, colocando em discussão as estruturas do discurso patriarcal. A dramaturgia estabelece um paralelo direto com o Estado enquanto figura de pai simbólico, lançando alerta para as consequências da omissão ou da perversidade estatal diante do cidadão.

Concebido a partir do texto do próprio ator e com direção compartilhada entre ele e Geraldo Octaviano, o espetáculo surgiu no ambiente virtual durante a pandemia e circulou por palcos da capital e do interior de Minas Gerais em 2022. No enredo, três personagens de origens sociais distintas se cruzam no podcast de masculinidades comandado por MC Alter Rosa: Ivan, professor de história e pai solo em luto, e Mateus, ator engajado em rodas de paternidade ativa.

Segundo o idealizador, as vivências de pai, marido e filho atravessaram toda a escrita e concepção da obra. O processo de construção das figuras em cena nasceu do exercício de olhar para a própria trajetória para dar voz a diferentes aspectos de sua própria personalidade em busca de um diálogo universal.

Glicério do Rosário leva solos premiados ao Teatro Feluma em novembro
Foto: Guto Muniz / Divulgação

Resgate histórico e a força poética de São Francisco de Assis à Foz

A segunda parte da temporada traz o resgate da montagem que marcou a fundação da Cia P’atuá em 2008. Vencedora do Prêmio Sesc-Sated/2009 nas categorias Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Ator, a obra se inspira no romance O Pobre de Deus, de Nikos Kazantzakis, e em pesquisas sobre a bacia e a transposição do Rio São Francisco.

A encenação aposta na expressividade física e vocal do intérprete para contar a história de Francisco de Assis, homem que renuncia às riquezas para servir aos despossuídos, entrelaçando essa trajetória à jornada do rio que atravessa o sertão até a foz. O espetáculo teve sua última exibição em Belo Horizonte no ano de 2012 e despediu-se temporariamente dos palcos em 2016, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

A montagem joga luz sobre conflitos políticos, geográficos e culturais, propondo uma rehumanização por meio do afeto. Para o artista, as discussões sobre a ampliação da transposição, a diminuição da vazão do curso principal e os impactos ambientais e socioeconômicos mantêm o texto profundamente atual quase duas décadas após a estreia.

Glicério do Rosário leva solos premiados ao Teatro Feluma em novembro
Foto: Guto Muniz / Divulgação

Serviço


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Foto: Guto Muniz / Divulgação
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Foto: Guto Muniz / Divulgação
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