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Grupo Trama leva reflexão sobre colapso ambiental aos palcos de BH

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A urgência climática e o esfacelamento das relações humanas conduzem a narrativa de Encruzilhada, montagem inédita que marca o retorno do coletivo teatral aos palcos da capital mineira.

A encenação coloca a humanidade diante de suas próprias escolhas destrutivas em um cenário distópico. Criada pelo Grupo Trama, a produção chega a Belo Horizonte para comemorar os 28 anos de fundação do coletivo em apresentações agendadas nos espaços culturais ZAP 18 e Galpão Cine Horto.

A ideia surgiu da necessidade de criar um espetáculo que dialogasse com nossos medos de um fim de mundo iminente, em que o principal responsável por essa destruição é o próprio ser humano.

Grupo Trama leva reflexão sobre colapso ambiental aos palcos de BH
Foto: Daniel Márcio/Divulgação

O dilema entre caminhos e a aridez do tempo

Com texto e direção assinados por Carlos Henrique, a dramaturgia parte do encontro metafórico de duas estradas sinalizadas por uma placa de quatro direções. Nesse ponto geográfico desolado, personagens transformados pela passagem dos anos aguardam acontecimentos enquanto lidam com temas urgentes como o consumismo desmedido, a degradação dos rios e oceanos e as disputas violentas por minerais raros.

A atmosfera árida ganha contornos visuais por meio de um cenário minimalista e figurinos elaborados a partir de materiais reaproveitados. No centro do espaço, o trânsito contínuo de um caminhão transportando bens da natureza tensiona as interações e sintetiza a exploração desenfreada do planeta.

Em cena, os atores Shirley Rodriguez e Marco Túlio Zerlotini se desdobram na interpretação de múltiplas figuras humanas. O trabalho corporal e interpretativo reflete a carga emocional de personagens confrontados pela escassez de horizontes otimistas, propondo ao espectador um estado de constante inquietação reflexiva.

Grupo Trama leva reflexão sobre colapso ambiental aos palcos de BH
Foto: Daniel Márcio/Divulgação

Pesquisa cênica e circulação

Desenvolvido ao longo de dez meses com suporte do Fundo Municipal de Cultura de Contagem, o espetáculo realizou suas primeiras sessões na sede do grupo teatral antes de iniciar o circuito por outros palcos. A proposta estética dispensa soluções prontas, apostando na dúvida como faísca para a conscientização social.

As exibições na capital iniciam nos dias 2 e 3 de outubro no bairro Santa Terezinha/Serrano e continuam no dia 16 de outubro no bairro Horto, consolidando a fase de expansão da peça em direção a novos circuitos e festivais.

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