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Ibejis transforma mistério dos gêmeos em encontro entre ciência e mito

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Entre cromossomos e orixás, “Ibejis” propõe uma leitura dupla sobre o mistério dos gêmeos e transforma essa pergunta em experiência cênica para todas as idades.

O fascínio silencioso que envolve irmãos gêmeos ganha forma no palco com a estreia de “Ibejis”, a partir de 11 de julho, no Teatro I do Sesc Tijuca. A montagem parte de uma inquietação simples — como duas pessoas podem compartilhar a mesma origem e ainda assim serem únicas — para conduzir o público por uma travessia entre ciência e ancestralidade.

De um lado, o espetáculo observa a formação gemelar a partir da biologia, com células e divisões. Do outro, mergulha na mitologia iorubá e nos Ibejis, orixás associados à infância, à dualidade e à proteção. Em vez de conflito, as duas perspectivas convivem e ampliam o olhar sobre identidade e pertencimento.

Queremos que o público saia do teatro não apenas encantado pela história, mas tocado pela beleza da nossa diversidade e pela força das nossas raízes

Dois corpos em cena, múltiplas camadas de leitura

Em cena, Isabele Brum e Rodrigo Barizon constroem esse universo duplo com leveza, transitando entre o rigor do conhecimento científico e o campo simbólico dos mitos. A dramaturgia é de Leandro Virginio, que já explorou a infância e a ancestralidade em trabalhos anteriores, enquanto a direção de Cátia Costa e Flávio Souza organiza esse encontro de linguagens.

A encenação aposta na simplicidade para abrir espaço à imaginação. Elementos como música, movimento e luz — assinada por Adriana Ortiz — criam um ambiente que não explica, mas sugere. O resultado é uma experiência que dialoga tanto com crianças quanto com adultos.

Infância como território de descoberta

A narrativa acompanha dois personagens que investigam o que significa ser igual e diferente ao mesmo tempo. Entre experimentos e fabulações, o espetáculo aponta para uma ideia central: não existe apenas uma forma de entender o mundo. E, muitas vezes, é no encontro entre saberes que surgem respostas mais completas.

Ao valorizar referências da cultura afro-brasileira e colocá-las em diálogo com a ciência, “Ibejis” amplia repertórios e reforça a importância de reconhecer múltiplas origens de conhecimento. A infância, aqui, aparece como ponto de partida — e não como limite.


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