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“IRÊ”: solo de dança gratuito chega à Tijuca em abril

“IRÊ”: solo de dança gratuito chega à Tijuca em abril

Nyandra Fernandes estreia seu primeiro solo nos palcos com “IRÊ”, espetáculo gratuito no Teatro Angel Vianna, de 17 a 19 de abril, na Tijuca (RJ).

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O que é “IRÊ”?

Classificado pelos Yorubás como a representação de “sorte”, o nome IRÊ carrega a ideia de que é possível construir a própria sorte no mundo. No primeiro trabalho solo de dança para os palcos, Nyandra Fernandes — idealizadora, intérprete e diretora da obra — percorre sua trajetória artística de quase 15 anos e se debruça sobre realidades socioculturais, religiosidade, dores e prazeres.

Para a artista, o espetáculo é um “ato de coragem” e uma forma de se colocar em cena como protagonista da própria narrativa.

O espetáculo Irê nasce da vontade de me reconstruir e me recolocar enquanto intérprete criadora e performer na cena. Ao longo da minha trajetória de quase 15 anos de estudo de corpo e dança, e muitos deles dedicados a construir na coletividade, que é parte muito importante de quem eu sou, eu percebi que ainda tinham lugares que eu não tinha acessado. E para construir esse solo, eu me revisito, pesquiso meu íntimo, e vou dançando esses atravessamentos que me fazem ser quem sou hoje. — Nyandra Fernandes

Da pesquisa ao palco

O processo criativo teve início em julho de 2025, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, com o apoio da diretora de movimento e provocação cênica, Bellas. “A ideia embrionária falava sobre como as coisas que estão em construção também são possibilidades; o que está sendo construído também tem potência, ressaltando que o processo se faz tão importante quanto o resultado”, conta Nyandra.

Nas salas de ensaio, o espelho se tornou um ponto de conflito. Olhar para a própria imagem refletida virou um embate interno — e esse confronto deu origem ao núcleo central da performance. “A partir dessa questão, surgiu a necessidade de encarar-se de frente e debochar do que se vê. Surgem dores profundas, discussões, e uma palavra que não sai. Não consegue sair”, revela a artista.

Território, corpo e resistência

Situada inicialmente pela realidade do território da Penha, Zona Norte do Rio, a performance faz surgir o que Nyandra chama de “barricada”: uma trincheira que interdita o acesso à artista. É uma analogia ao “passar batido” — a representação de que, mesmo em risco, a vida segue e é preciso prosseguir mesmo em situações de pânico. Nesse trecho, apenas o corpo conduz a transição.

A obra também questiona conceitos de medição e enquadramento: até que ponto o corpo cabe em determinado lugar? Primeiro, uma tentativa de se enquadrar. Depois, uma medição sobre se as pessoas ainda cabem na construção da artista.

A coreografia com giros e o surgimento de saias fazem referência ao grupo folclórico ASFLAG Parafusos, de Lagartos/SE. Eles mantêm a tradição dos escravizados que furtavam anáguas e rendas das sinhazinhas para assombrar pessoas e viabilizar fugas aos quilombos.

Uma trilha que cruza continentes

Toda a obra é mediada por uma trilha sonora que transita entre o funk carioca, o brega oriundo de Recife, os atabaques do candomblé, as vozes das lavadeiras e a melodia do surdo 1 da Estação Primeira de Mangueira. A variação de ritmo e velocidade faz Nyandra transitar por territórios físicos e abstratos, cruzando estados, continentes e emoções.

“As expressões faciais e corporais nessa performance são o que fazem com que as coisas possam se tornar individualmente inteligíveis. Cada pessoa, dentro da sua perspectiva, entende o que é dito de uma forma e cria sua narrativa para o que está sendo mostrado, gargalhadas profundas e altas, lágrimas que escorrem pelos olhos e constrangimento”, afirma Nyandra.

Fomento público e produção

A residência de IRÊ foi realizada com recursos do edital Pró-Carioca Residências Artísticas, da Prefeitura do Rio/Secretaria Municipal de Cultura. A criação e a temporada foram viabilizadas pelo edital Fluxos Fluminenses, do Governo do Rio/Secretaria de Estado e Economia Criativa, ambos com recursos do Governo Federal.

A produção e gestão são da Quafá Produções, produtora com mais de 15 anos de atuação no mercado das artes da cena em âmbito nacional e internacional, com foco em produções ligadas às culturas urbanas, periféricas e populares.


Serviço

"IRÊ": solo de dança gratuito chega à Tijuca em abril
Foto: Divulgação
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