Duo carioca abre “Leva tempo, mas vai dar tempo” em 7 de março na Casa Seva, com 20 obras inéditas e instalação performática construída ao vivo. Entrada gratuita.
Primeira individual em São Paulo
As Irmãs Gelli, duo formado pelas artistas cariocas Alice e Gabi Gelli, chegam a São Paulo com sua primeira exposição individual na cidade. A mostra “Leva tempo, mas vai dar tempo” abre no sábado, 7 de março de 2026, na Casa Seva, espaço expositivo independente dedicado à arte e à sustentabilidade, localizado dentro da Vila Modernista, nos Jardins. A entrada é gratuita e a temporada vai até 18 de abril de 2026.
Sob a curadoria de Catalina Bergues, também curadora do Instituto Tomie Ohtake, a mostra reúne cerca de 20 obras inéditas, entre trabalhos de grande escala, peças cinéticas e uma instalação performática que dá nome à exposição. Todo o projeto foi pensado e produzido ao longo de 2025, marcando um novo capítulo na trajetória da dupla, que trabalha junta há cinco anos.
O tempo como matéria
O título da exposição carrega dois sentidos simultâneos: o tempo lento e camadas do processo criativo com a cera vegetal, e o convite ao público para desacelerar e habitar a experiência. A curadora Catalina Bergues explica a proposta com precisão.
O tempo não aparece aqui como tema, mas como parte da própria matéria. Os acúmulos, os mergulhos sucessivos e a espera implicados no trabalho com a cera tornam visíveis camadas de um tempo que se deposita de forma processual. Ao convidarem o público a observar e interagir com esses vestígios, as artistas deslocam a ideia de obra acabada e fixa no tempo: ao contrário, trata-se de trabalhos que seguem se transformando na presença dos visitantes e na ação contínua das próprias artistas. Catalina Bergues, curadora
As obras em cera vegetal são construídas por meio de sucessivos mergulhos em material líquido, um procedimento que exige espera, repetição e atenção aos ritmos do próprio material. O resultado são trabalhos translúcidos em grande escala que evocam profundidade, suspensão e transformação contínua, em diálogo direto com referências da natureza.
Instalação de meia tonelada construída ao vivo
O ponto central da mostra é uma instalação performática de aproximadamente meia tonelada de cera, inspirada na formação de estalactites e estalagmites — estruturas rochosas que levam milhares de anos para se formar em cavernas. Assim como esses fenômenos naturais, a obra será construída em camadas ao longo de todo o período expositivo, em sessões abertas ao público. Os visitantes são convidados a acompanhar sua transformação em tempo real.
Criada em grande escala, a instalação exige que o visitante circule ao seu redor, reforçando a dimensão corporal e experiencial que é marca registrada do trabalho das irmãs. Também são apresentadas pela primeira vez obras cinéticas, em que as partes se deslocam horizontalmente, ampliando o diálogo entre tempo, matéria e percepção de espaço.
Aprendemos desde crianças a colocar as mãos para trás em exposições de arte. Isso, por si só, já impõe um distanciamento físico. Mas quando você convida as pessoas a tocarem o material, a adentrar uma instalação, a construir coletivamente, é uma experiência que ativa todos os sentidos. Você sai mais calmo do que entrou, consegue perceber o impacto daquela obra no seu corpo. Alice Gelli
Sustentabilidade como método, não discurso
A sustentabilidade é um dos eixos estruturantes do trabalho da dupla e se manifesta diretamente nos materiais utilizados: a cera vegetal Ecomix (com menos parafina), o plástico de faróis de carros reciclado — desenvolvido em parceria com o projeto Arte 8 Reciclagem — e a madeira de demolição. Todos são recicláveis, reutilizáveis e constantemente retrabalhados no ateliê.
Ao longo dos anos o nosso trabalho foi crescendo em escala, e pensar obras de grandes dimensões com materiais sustentáveis faz muito mais sentido, como quando criamos uma obra de 7 metros de comprimento feita de 45 kg de plástico reciclado, o equivalente ao consumo médio de plástico de 45 pessoas em 1 mês. Esse plástico deixa de ser lixo e passa a ser obra. Gabi Gelli
Sobre as Irmãs Gelli
Alice e Gabi Gelli são irmãs, artistas e cariocas. A pesquisa da dupla se debruça sobre a perspectiva do encontro, da troca e da materialidade do tempo, diante do excesso de virtualização da vida. Antes de se tornarem Irmãs Gelli, cada uma desenvolveu sua trajetória individual. Juntas, realizaram exposições no Centro Cultural dos Correios (Rio de Janeiro, 2024), na Galeria Brisa (Lisboa, 2024) e na Lurixs (Rio de Janeiro, 2023). Participaram de coletivas no Brasil e no exterior, incluindo “Trame di memoria” durante a Semana de Design de Milão 2025, e foram selecionadas para a VII Bienal do Sertão, em Minas Gerais, em 2025. Em 2022, realizaram projetos inéditos para o Jaguar Parade em São Paulo e em Nova York.
Sobre a Casa Seva
Projetada pelo arquiteto Flavio de Carvalho e construída entre 1936 e 1938 dentro da Vila Modernista, a Casa Seva é um espaço expositivo dedicado à sustentabilidade, arte e cultura. Por meio de exposições, eventos, palestras e workshops, estimula uma rede mais sustentável entre artistas, galeristas e visitantes.
Serviço
Exposição “Leva tempo, mas vai dar tempo” — Irmãs Gelli
Curadoria: Catalina Bergues
Período: 7 de março a 18 de abril de 2026
Horário de visitação: de terça a sexta, das 11h às 18h, e sábados, das 11h às 15h
Endereço: Casa Seva — Alameda Lorena, 1257, Casa 1 — Vila Modernista — São Paulo/SP
Entrada gratuita. Mais informações em www.casaseva.com.br e www.irmasgelli.com.br
Foto: Divulgação





