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Johanna Calle usa mapas e pergaminhos para desconstruir fronteiras

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A urgência de compreender o posicionamento humano e os limites territoriais ganha forma por meio de mapas históricos, papéis milimetrados dos anos 1970 e escrituras seculares de propriedades.

Sistemas criados para definir fronteiras, registrar terras e estabelecer soberanias revelam a fragilidade dos limites políticos diante das transformações do relevo e do tempo. A artista colombiana Johanna Calle transforma instrumentos de medição geográfica em matéria-prima crítica para discutir como convenções administrativas moldam disputas de poder.

Nomes, fronteiras e a ideologia das pessoas mudaram, mas o ato de medir, não.

Johanna Calle usa mapas e pergaminhos para desconstruir fronteiras
Foto: Divulgação

Cartografias fragmentadas e o ato de medir

A exposição “Longitudes”, sediada no Anexo Galeria Marilia Razuk, reúne dezenas de trabalhos produzidos entre 2024 e 2026, organizados em três frentes de pesquisa: Enclaves, Grafías e Bratislava. Na série Bratislava, executada em tinta sobre papel milimetrado adquirido na cidade outrora identificada como Prešporok, a artista evidencia como topônimos e governos mudam enquanto a obsessão por mensurar permanece inalterada.

Na produção de Enclaves, Calle aplica técnica mista sobre mapas de época para examinar territórios cercados por jurisdições divergentes em leis, religiões ou idiomas. O mapa desponta como um registro fragmentado e inconcluso, sujeito a alterações naturais como o desvio de leitos de rios ou a adoção tradicional de árvores como referências físicas para marcar a área e o avanço cronológico em zonas rurais.

Johanna Calle usa mapas e pergaminhos para desconstruir fronteiras
Foto: Divulgação

Registros de posse sobre pergaminho inglês

A série Grafías emprega óleo sobre pergaminho inglês dos séculos XVIII e XIX originário de escrituras de imóveis. Os suportes carregam manuscritos com demarcações de terras, nomes e datas, unindo o valor simbólico do documento oficial à matéria física extraída da pele animal, material historicamente escolhido pela resistência à umidade e conservação secular de decretos reais, diplomas e títulos.

Com formação pela Universidad de los Andes e mestrado no Chelsea College of Art, Calle constrói sua trajetória por meio de manuscritos, matrizes matemáticas e pautas que integram coleções como Tate Modern, MoMA, Art Institute of Chicago e Museo de Arte del Banco de la República. A individual integra o ciclo de mostras da galeria voltado à produção artística latino-americana com ênfase no protagonismo feminino internacional.

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