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Jovens da Maré e da Austrália se encontram pela música no Rio

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Duas realidades separadas por mais de 13 mil quilômetros vão se encontrar no palco pela linguagem universal da música. No próximo dia 10 de julho, o Museu do Amanhã recebe um encontro raro: jovens do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, cantando ao lado de jovens de Melbourne, na Austrália, em uma apresentação conjunta e gratuita.

O concerto une o Coral das Marés, projeto que há dez anos transforma vidas através do canto coletivo, ao Coral Exaudi, um dos principais corais de jovens adultos da Austrália. Para ambos os grupos, esta será a primeira vez cantando juntos — e, para o coral australiano, a primeira apresentação em toda a América do Sul.

Um encontro inédito entre culturas

A apresentação acontece às 18h, com entrada gratuita, mas os convites precisam ser reservados antecipadamente por mensagem direta no Instagram @institutosabendomais. O evento reforça o papel do Museu do Amanhã como espaço de diálogo cultural, recebendo agora um projeto que nasceu dentro de escolas públicas da Maré e um coral que atravessou o oceano para essa troca.

A regência da apresentação ficará dividida entre dois maestros com trajetórias bem diferentes, mas unidos pela crença no poder transformador da música. O Coral das Marés será conduzido pelo maestro Luciano Zandonadi, enquanto o Coral Exaudi será regido por Juliana Kay.

Dez anos transformando vidas na Maré

Realizado pelo Instituto Sabendo Mais, o Coral das Marés é composto por moradores do Complexo da Maré e já passou por mais de três mil crianças e adolescentes, de 6 a 17 anos, em suas atividades desenvolvidas em escolas públicas da região. O projeto vai muito além da música em si: ele atua diretamente no desenvolvimento cultural e social de cada participante.

Segundo relatos da própria organização, a participação no coral tem impacto direto no cotidiano e no desempenho acadêmico dos jovens envolvidos. A atividade estimula disciplina, trabalho em equipe, autoestima, pensamento crítico e capacidade de resolução de problemas — habilidades que ultrapassam os limites do palco e acompanham esses jovens em outras áreas da vida.

Para os chamados “jovens artistas” do projeto, cantar ao lado de um coral internacional representa também um motivo de orgulho e reconhecimento — uma oportunidade rara de mostrar, para um público diferente, a força cultural que nasce dentro da Maré.

Da Austrália para o Rio de Janeiro

O Coral Exaudi reúne cerca de 80 participantes entre estudantes e profissionais de diversas áreas, todos unidos pela paixão pelo canto coral. É considerado um dos principais corais de jovens adultos da Austrália, e sua chegada ao Brasil marca a primeira apresentação do grupo em solo sul-americano.

A conexão brasileira da regente Juliana Kay

A história por trás dessa apresentação carrega um detalhe pessoal significativo. A diretora musical e regente do Exaudi, Juliana Kay, fez intercâmbio na Universidade Federal Fluminense (UFF), no curso de Ciências Ambientais, e foi durante esse período que se apaixonou pelo Rio de Janeiro e aprendeu a falar português fluentemente.

De volta à Austrália, Juliana decidiu mudar de rumo profissional e seguir o caminho da música, entendendo que essa arte também poderia gerar um impacto positivo e significativo na vida das pessoas — um propósito que, de certa forma, se conecta diretamente com a missão do Coral das Marés.

Dois mundos, uma linguagem universal

Para Sandra Garcia, diretora do Instituto Sabendo Mais, o encontro representa uma oportunidade única de troca genuína entre realidades completamente distintas.

Essa é uma oportunidade enorme tanto para quem está no palco como para a plateia. Os jovens artistas terão importantes momentos de troca de experiências e conexão, mostrando suas realidades de vida e a importância da música em seu cotidiano. O público poderá ver um primeiro encontro de dois mundos, unindo repertórios em uma linguagem universal.

A fala de Sandra resume bem o espírito da apresentação: mais do que um concerto, o evento no Museu do Amanhã se propõe a criar um espaço de escuta mútua, onde jovens de contextos tão diferentes — a favela carioca e a vida universitária australiana — encontram no canto coral um terreno comum.


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