Um mural de 400 m² e 26,8 m de altura muda a paisagem do Moinho: Wes Gama inaugura a obra em 31 de janeiro, na recém-criada Rua ABertha.
A nova arte pública em grande escala passa a integrar a paisagem urbana de Juiz de Fora e ocupa uma das empenas do Moinho, voltada para a Rua ABertha. Pela dimensão — cerca de 400 m² e 26,8 metros de altura —, o trabalho se impõe como marco visual da Zona Norte e como símbolo de um projeto urbano que conecta cultura, mobilidade e vida coletiva.
Arte que nasce com a rua
O Moinho e a Rua ABertha foram concebidos como partes de um mesmo ecossistema urbano. Nesse desenho, a arte pública deixa de ser apenas cenário e vira elemento central da experiência: um convite à circulação, ao encontro e à ocupação cultural do espaço.
A obra dialoga diretamente com a ideia de rua-parque, pensada para priorizar pessoas e criar novas rotinas de convivência. Assim, o mural funciona como ponto de referência e também como sinal de que a região entra em um novo ciclo de inspiração e transformação.
Quem é Wes Gama
Reconhecido nacionalmente por sua atuação na arte urbana, Wes Gama desenvolveu uma estética que define como “caipira futurista”. Ele combina ancestralidade, tecnologia e cultura popular brasileira em composições de cores intensas, formas orgânicas e narrativas que conectam passado, presente e futuro.
Entre seus trabalhos de destaque está “Amazon Alarm”, mural criado para o Greenpeace Brasil, além de participações em festivais e projetos culturais relevantes no país. Em Juiz de Fora, a execução contou com a assistência das grafiteiras Pekena Lumen, Gart Lemos e Nathalia Medina, ampliando o intercâmbio artístico e fortalecendo a cena local.
Curadoria e visão do projeto
A curadoria é assinada por Priscila Amoni e Jana Macruz, da AGUA — Agência Urbana de Arte, especializada em direção de arte, curadoria e produção de projetos em espaços públicos e privados. A agência também é responsável pelo CURA – Circuito Urbano de Arte, um dos maiores festivais de arte pública da América Latina.
“Wes foi a tradução perfeita para o que o Moinho quer como imagem de sua missão.”
A fala é de Jana Macruz. Já Priscila Amoni afirma que a escolha partiu de uma pesquisa sensível por artistas cuja poética dialoga com natureza, futuro e ancestralidade — chaves que também aparecem no conceito do novo espaço urbano.
O que o mural conta
Segundo o artista, a criação parte de uma reflexão sobre o significado histórico do Moinho e sua relação com a cidade. Ele afirma que pensou em uma obra capaz de traduzir “essa caminhada, esse trajeto e as pessoas que passaram por aqui e continuam passando até hoje”, tratando o prédio como um marco atravessado por gerações.
Wes Gama também destaca a intenção de valorizar a rua como espaço público de circulação e convivência. A proposta, segundo ele, conecta o urbano ao natural e evidencia o papel das mulheres como agentes importantes do movimento cultural que ocupa a cidade.
Contexto urbano: Rua ABertha
A inauguração do mural integra as ações de lançamento da Rua ABertha, realizada pela Prefeitura de Juiz de Fora em parceria com o Moinho. Extensão da Rua Bertha Halfeld, ela passou a ser liberada para circulação de veículos durante a semana, com foco em melhorar a mobilidade urbana da Zona Norte.
Aos domingos, a dinâmica muda: a via fecha para carros e se transforma em rua-parque. A proposta prioriza mobilidade ativa, áreas de permanência, soluções baseadas na natureza e programação cultural, criando um modelo de uso do espaço público pensado na escala das pessoas.
Visível de diversos pontos do Bairro Industrial, o mural se apresenta como presente para a população da região. A partir de 31 de janeiro, a obra entra para o repertório visual de Juiz de Fora e reforça a ideia de que a paisagem também pode ser ferramenta de pertencimento.
Foto: Igor Tibiriçá
