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Julgamento no palco ecoa dentro de tribunal no Rio

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Um julgamento ficcional atravessa as paredes de um tribunal real e transforma literatura em reflexão direta sobre justiça, poder e direito.

O monólogo “O Julgamento de Zé Bebelo” ganha apresentação única no Centro Cultural Poder Judiciário do Rio de Janeiro, ocupando o antigo Tribunal do Júri do TJRJ. Com atuação de Gilson de Barros e direção de Amir Haddad, a encenação parte da obra de João Guimarães Rosa para tensionar temas jurídicos dentro de um espaço institucional.

“O espaço cênico minimalista cria um ambiente propício para que o espectador se entregue à força da história e às questões universais da obra.”

A montagem integra a Trilogia Grande Sertão: Veredas e recorta um dos episódios centrais do romance. Na trama, o chefe jagunço Zé Bebelo, derrotado em combate, recusa a execução imediata e exige um julgamento legal. A decisão rompe com a lógica violenta do sertão e leva Joca Ramiro a assumir o papel de juiz, instaurando uma forma singular de justiça.

Quando o sertão exige lei

Ao situar a narrativa entre a República Velha e o início da Era Vargas, o espetáculo desenha um cenário marcado pelo coronelismo e pela força armada. Nesse contexto, a ideia de devido processo legal surge como ruptura. O palco transforma esse conflito em debate direto com o público, aproximando ficção e realidade institucional.

A escolha pelo espaço do Judiciário reforça esse diálogo. O ambiente não funciona apenas como cenário, mas como extensão simbólica da narrativa, colocando o espectador diante de questões sobre cidadania, ética e origem dos direitos.

A palavra no centro da cena

A encenação aposta em recursos mínimos para destacar a linguagem de Guimarães Rosa. O trabalho de Gilson de Barros prioriza a interpretação narrativa, enquanto Amir Haddad constrói uma direção que evita excessos visuais e sonoros.

Segundo o ator, a proposta busca preservar a complexidade da escrita rosiana, mantendo a musicalidade e a densidade do texto original. Já a direção investe em um espaço limpo, onde a palavra conduz a experiência.

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