Três videoclipes lançados em maio desembocam em mostra imersiva no SESI Minas, onde a Libertália expande seu álbum de 2022 para o audiovisual.
A trilogia de videoclipes Libertália nasce com uma proposta pouco comum no circuito musical: transformar lançamentos separados em capítulos de uma mesma obra. Ao longo de maio, o coletivo artístico de Belo Horizonte apresenta “Desencantando”, “Meio Fora” e “Suíte Vampyr”, três faixas do álbum homônimo de 2022 que agora ganham desdobramento visual em chave autoral.
O calendário já vem marcado. “Desencantando” estreia em 11 de maio, “Meio Fora” chega em 18 de maio e “Suíte Vampyr” fecha a sequência no dia 25. Depois, em 12 de junho, sexta-feira, às 19h, o projeto ganha nova escala no Teatro de Bolso SESI Minas, com uma mostra audiovisual gratuita que reúne a trilogia e outras produções em exibição integral.
Dirigidos e roteirizados por Humberto Mundim e Bruno Leal Medeiros, os videoclipes não seguem a lógica tradicional do formato. Em vez de uma narrativa linear, o trio de obras aposta na força da imagem, da montagem e da experiência sensorial. Com isso, a Libertália aproxima seu trabalho de zonas normalmente associadas ao cinema de autor e à videoarte contemporânea.
Uma trilogia, três estados
As três peças se articulam como um percurso emocional e simbólico. Primeiro surge a ruptura. Depois, o deslocamento. Por fim, entram em cena relações organizadas pela troca e pelo consumo. Essa progressão dá unidade ao projeto e ajuda a explicar por que a trilogia funciona melhor como um corpo contínuo do que como obras isoladas.
Desencantando abre o colapso
Em “Desencantando”, a narrativa acompanha o colapso de uma estrutura de percepção em um cenário de dissolução e instabilidade. O gesto inicial da trilogia é de quebra. Nada ali parece buscar conforto ou conciliação. Ao contrário, o vídeo parte da perda de uma ordem conhecida para instaurar um campo de incerteza.
Meio Fora fixa o não pertencimento
Na etapa seguinte, “Meio Fora” transforma o deslocamento em condição permanente. O sujeito já não atravessa apenas uma crise momentânea. Ele passa a ocupar um espaço em que não há pertencimento possível. Esse movimento aprofunda o eixo existencial da trilogia e desloca o foco para uma experiência mais dura de desenraizamento.
Suíte Vampyr fecha o ciclo
Já “Suíte Vampyr” investiga relações sustentadas por ciclos de consumo emocional. A atmosfera dialoga com mitologias e estruturas simbólicas, sem abandonar a leitura contemporânea que atravessa todo o projeto. Assim, o fechamento da trilogia não oferece resolução. Ele expõe vínculos marcados por dependência, repetição e desgaste.
Essa camada conceitual também está ancorada nas composições. Em “Desencantando”, por exemplo, Rafael Fares parte de referências da bossa-nova para construir uma crítica ao romantismo. A canção deixa o campo íntimo e mira o modo como a humanidade se relaciona com o mundo ao redor.
“Foi a partir desse mote que começamos a canção, procurando falar do mundo — uma poética geológica, e não do ego. E concluímos que a humanidade não observa o mundo ao seu redor, mas apenas o próprio umbigo”, afirma o músico Rafael Fares.
A mostra amplia a leitura
Se os lançamentos de maio apresentam as partes, a mostra de junho pretende reorganizar o olhar sobre o conjunto. A proposta do evento no SESI Minas é exibir a trilogia em diálogo com outras obras da Libertália e, desse modo, ampliar a leitura do projeto como uma peça artística única. A imersão, portanto, não é apenas formal. Ela também é narrativa.
“Os três clipes nasceram em momentos distintos, mas, ao longo da criação, ficou claro que faziam parte de um mesmo percurso. Existe uma progressão: primeiro a ruptura, depois o deslocamento, e então as relações que surgem dentro desse estado. Não há uma resolução, o que existe é uma reorganização”, sublinha Bruno Leal Medeiros. “A ideia da mostra no SESI Minas é justamente apresentar esse conjunto como uma obra única, onde cada vídeo amplia o anterior”, completa.
Esse desenho reforça a posição da Libertália na interseção entre música e audiovisual. O coletivo se move entre o experimental e o popular sem tratar essas frentes como opostas. Pelo contrário, a trilogia se apresenta como um ensaio audiovisual sobre a perda da ilusão, o deslocamento como condição e as relações entendidas como campo de consumo.
Os lançamentos online acontecem no canal da Libertália no YouTube, onde a sequência poderá ser acompanhada nas três segundas-feiras de maio.
https://www.youtube.com/@libertalia240
Quem é a Libertália
A Libertália é um coletivo artístico de Belo Horizonte que atua na interseção entre música e audiovisual. Sua produção se caracteriza pela liberdade estética, pela mistura de linguagens e pela criação de experiências sensoriais que ultrapassam formatos convencionais. Esse traço aparece com clareza na trilogia, mas também ajuda a entender o movimento mais amplo do grupo.
O projeto “Libertália – Produção de videoclipes” (Chave: 14164 – 263230 – Apoio às produções audiovisuais mineiras, sob proponência de Humberto Rocha Mundim) é financiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura – Paulo Gustavo – Edital de Apoio às Produções Audiovisuais Mineiras.
Serviço
- Lançamentos online: canal da Libertália no YouTube — https://www.youtube.com/@libertalia240
- “Desencantando” — 11 de maio
- “Meio Fora” — 18 de maio
- “Suíte Vampyr” — 25 de maio
- Mostra audiovisual Libertália — 12 de junho, sexta-feira, às 19h
- Local: Teatro de Bolso SESI Minas, R. Padre Marinho, 60 – Santa Efigênia
- Entrada gratuita
Frame do videoclipe “Desencantado”, da Libertália – Foto: Divulgação
