A Língua Brasileira de Sinais (Libras) deixa de ser um mero recurso de acessibilidade externa para se transformar na própria matéria-prima coreográfica no espetáculo “Sentido”, nova montagem do Ballet Jovem Minas Gerais.
Dirigida por Maxmiler Junio, a produção é fruto de uma pesquisa iniciada há cerca de dez anos, durante sua graduação em Dança na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na obra, a configuração das mãos, os movimentos, as expressões faciais e a ocupação do espaço pela Libras são incorporados diretamente à dramaturgia do espetáculo, propondo uma experiência sensorial expandida sobre a comunicação corporal.
A Libras não aparece no espetáculo como representação, ela é incorporada na dança, na sinalização. Cada movimento sugere, por meio do corpo e do sentido, uma camada de Libras ampliada.

Construção coletiva e consultoria em Libras
O processo de criação contou com a consultoria da artista surda oralizada Edmeia Miriam Cupertino, poeta com trajetória em saraus e premiada em 2020 pela obra “Refúgio”. A atuação de Edmeia orientou a adaptação dos elementos cênicos para assegurar a compreensão e a identificação do público surdo.
As escolhas visuais e sonoras também foram estruturadas em função da acessibilidade visual e tátil. O figurino é pensado para destacar a leitura dos gestos, enquanto o uso de lanternas e da iluminação cênica conduz a percepção do espectador. A sonoplastia explora pulsações e vibrações de baixa frequência, permitindo o acompanhamento do ritmo para além do sentido auditivo tradicional.
Como resultado do vínculo criado ao longo dos ensaios, a companhia recebeu um sinal próprio dentro da comunidade surda. O projeto “Ballet Jovem Apresenta: Silêncios em Movimento” foi aprovado na LMIC 2025 – Multilinguagens, do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, e inclui também uma sessão fechada para alunos da Escola Estadual Francisco Salles no dia 5 de novembro, às 18h.

Formação de bailarinos e trajetória profissional
Criado em 2007, o Ballet Jovem Minas Gerais funciona como um centro de aperfeiçoamento e profissionalização artística, reunindo bailarinos de diversas regiões do país em rotinas intensas de aulas e ensaios com coreógrafos convidados. Em sua trajetória, a instituição já encaminhou mais de 50 integrantes para companhias de dança profissionais no Brasil e no exterior.
Serviço
- Apresentação 1: 6 de novembro, às 18h – Associação de Surdos de Minas Gerais (Rua Elisa Felippeto Ricaldoni, 90, Castelo) – Entrada gratuita
- Apresentação 2: 12 de novembro, às 10h – Centro Mineiro de Reabilitação Auditiva (Rua Esmeralda, 776, Prado) – Entrada gratuita
- Entrada: Não é necessário retirar ingressos previamente. Todas as sessões serão seguidas de bate-papo.
