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Livro propõe resgate do diálogo familiar em tempos de telas

Livro propõe resgate do diálogo familiar em tempos de telas

Em meio à rotina atravessada por notificações, telas e conexões constantes, o livro Família na era digital – amar, educar, evoluir, lançado pela Paulinas Editora, chama atenção para um ponto sensível e cada vez mais presente: a fragilidade dos vínculos familiares diante da hiperconectividade. A obra propõe um olhar atento sobre aquilo que realmente sustenta as relações — as palavras, os gestos e até os silêncios — em um contexto onde o digital redefine a forma de convivência.

Mais do que um guia prático, o livro se constrói como um convite à reflexão. A pergunta central é direta e desconfortável: o que estamos comunicando quando dividimos o mesmo espaço físico, mas permanecemos isolados em nossos próprios dispositivos? A partir dessa provocação, a autora conduz o leitor por uma análise sensível e necessária sobre os impactos da tecnologia dentro de casa.

Quando a conexão afasta

Celulares, redes sociais e aplicativos ampliaram as possibilidades de comunicação, mas também trouxeram um efeito colateral silencioso: a dificuldade de estabelecer diálogos profundos. A obra destaca uma cena cada vez mais comum — famílias reunidas fisicamente, porém emocionalmente distantes, cada indivíduo imerso em sua própria tela.

Esse cenário se repete em momentos simbólicos, como as refeições, tradicionalmente associadas ao encontro e à troca. A tecnologia, nesse contexto, não surge como vilã absoluta, mas como um elemento que exige consciência e equilíbrio no uso.

A autora levanta questionamentos que ecoam no cotidiano de muitas casas: como utilizar a tecnologia de forma saudável? Como evitar que ela substitua — ou enfraqueça — o contato real? E, sobretudo, como preservar a qualidade das relações em um ambiente cada vez mais mediado por telas?

Escuta, empatia e presença

Ao longo de 13 capítulos, a obra aponta caminhos que passam menos pela rejeição do digital e mais pelo resgate de competências humanas fundamentais. A escuta ativa, a empatia e a compreensão mútua aparecem como pilares centrais para reconstruir pontes dentro das famílias.

Comunicar-se, segundo a abordagem do livro, vai além da troca de mensagens. Trata-se de construir vínculos consistentes, capazes de resistir às transformações tecnológicas. Nesse sentido, o afeto não é apenas um complemento, mas a base sobre a qual se sustenta o desenvolvimento emocional e relacional.

A autora também explora temas contemporâneos que atravessam diferentes gerações:

Com base em sua experiência como terapeuta, ela apresenta exemplos concretos que ajudam a traduzir essas questões em situações do dia a dia, oferecendo estratégias práticas para fortalecer os laços familiares.

Entre a dor e a reconexão

A narrativa não ignora os impactos mais difíceis dessa realidade. A autora relata ter acompanhado, ao longo de sua trajetória profissional, casos de pais angustiados, filhos distantes da vida real e famílias marcadas pelo silêncio imposto pela tecnologia.

Esses relatos revelam um cenário de desgaste emocional que vai além do uso excessivo de dispositivos, atingindo diretamente a qualidade das relações. Ainda assim, o livro não se limita ao diagnóstico.

Há espaço para histórias de reencontro, reconciliação e transformação. Situações em que o diálogo foi retomado, o afeto voltou a ocupar o centro e pequenas mudanças produziram impactos significativos na convivência familiar.

O resgate do diálogo e da presença real dentro da família é possível — ainda que exija esforço, consciência e escolha.

Tecnologia a serviço da vida

Ao longo da obra, a conclusão se constrói de forma clara: o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é integrada às relações. O digital é apresentado como inevitável, mas não como protagonista absoluto.

A autora defende que a qualidade da comunicação continua sendo uma responsabilidade humana. A coerência entre o que se diz e o que se faz, nesse contexto, torna-se essencial para a educação e para o bem-estar emocional dentro da família.

O livro reforça que o afeto e o vínculo são elementos centrais no desenvolvimento humano e não podem ser substituídos por interações mediadas por telas. A tecnologia, quando bem utilizada, pode aproximar — mas jamais substituir a presença real.

Quem está por trás da obra

Mariangela Mantovani é psicóloga clínica e educacional, com especialização em psicodrama e terapia de casais e famílias. Também é sexóloga pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e docente em cursos de Psicodrama e Terapia Familiar da F&Z – Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde.

Atua como psicóloga educacional em escolas de São Paulo, além de ser palestrante e coordenadora do atendimento voluntário de psicologia da Paróquia São Judas Tadeu.

Uma trajetória editorial consolidada

Responsável pela publicação, a Paulinas Editora mantém presença no Brasil desde 1931 e construiu uma trajetória marcada por reconhecimento no setor editorial. Entre os destaques estão oito Prêmios Jabuti e participação em feiras literárias internacionais.

A editora sustenta valores como ética, responsabilidade social, diversidade cultural e compromisso com a formação humana, características que dialogam diretamente com a proposta da obra.


Serviço

Livro propõe resgate do diálogo familiar em tempos de telas
Foto: Divulgação
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