A artista Luciana Rique expande as fronteiras da imagem ao transformar ferro, carvão, ouro e papéis coreanos em um percurso cosmológico no Centro do Rio.
Em geral, os fotógrafos atuam para revelar algo do mundo. A Luciana fotografa para ocultar a aparência do mundo.
Diante da câmera da fotógrafa carioca, aquilo que está à vista perde escala, contorno e gravidade. Em vez de registrar o real com precisão documental, Luciana Rique manuseia o equipamento como um pincel, explorando frestas, sombras, desfoques e movimentos para erguer uma iconografia de atmosferas que habita o limiar entre figuração e abstração.
Esse território incerto ganha corpo na exposição individual “Entre Órbitas”, que será inaugurada no dia 17 de setembro de 2026, às 19h, na Casa Proeza, integrando o circuito da ArtRio. Com curadoria de Eder Chiodetto, parceiro de pesquisa da artista desde 2022, o conjunto reúne cerca de 35 obras que desdobram experimentações iniciadas nas mostras anteriores, “Entreato” (2023) e “Sólido Volátil” (2024 e 2025).

Alquimia e a matéria em transmutação
A transmutação alquímica surge como o eixo conceitual determinante das novas peças. O ponto de partida foi uma imagem de tons avermelhados que sugeria um mar revolto sem sê-lo, conduzindo curador e artista ao conceito de rubedo, etapa que marca o ápice da transformação na alquimia. A partir desse gatilho cromático, formas circulares e elípticas passaram a ditar a composição visual, abrindo espaço para vermelhos intensos e tons dourados.
O conceito penetra na fisicalidade dos trabalhos. Ao testar impressões sobre ferro e aço corten, a artista passou a integrar a oxidação natural do metal como elemento composicional autônomo, dispensando o suporte tradicional. A matéria bruta dialoga com carvão, poeiras minerais, lâminas de folha de ouro e papéis artesanais coreanos garimpados durante uma imersão investigativa em ateliês e museus de Seul.
Suspensão no centro histórico
A montagem na Casa Proeza explora a gravidade arquitetônica do imóvel histórico. Peças suspensas descem do teto sem encostar no piso, estabelecendo campos de atração e distância enquanto outras composições operam como constelações nas paredes. A disposição convida o espectador a orbitar entre as matérias, ressoando os conceitos de akasha e nakazora, ligados à vivência em intervalos primordiais onde os pés não tocam o chão.
Formada pela New York University e com passagem pela escola Speos, em Paris — onde atuou como assistente do fotógrafo Jean Pierre Dutilleux —, Luciana vive e trabalha entre Londres e o Rio de Janeiro. A artista, que já integrou a Residência Artística Luis Maluf e exposições ligadas à SP-Arte, investiga estados meditativos e percepções que escapam ao visível cotidiano.
Serviço
- Exposição: Entre Órbitas, de Luciana Rique
- Curadoria: Eder Chiodetto
- Abertura: quinta-feira, 17 de setembro de 2026, às 19h
- Encerramento: x de xxx de 2026
- Local: Casa Proeza
- Endereço: Rua do Ouvidor, 26 – Centro, Rio de Janeiro | RJ
- Horários de visitação: Terça a sexta, das 11h às 18h; sábados, das 11h às 15h
- Telefone: (21) 97135-2520
- Instagram: @casa_proeza
- Classificação: Livre | Entrada gratuita
